O que a pandemia nos ensina sobre colaboração e inovação nas empresas

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Por Nathália Tavares
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A pandemia do coronavírus parou o mundo de um jeito como nunca tínhamos visto antes. O FMI apontou uma previsão preocupante que alerta sobre o risco de termos a maior recessão econômica desde 1929. Frente à crise de 2008, ela já está sendo pior. A pandemia da Covid-19 afetou todos os setores e tem causado inseguranças na educação, política e, sobretudo, na saúde. É até meio clichê falar sobre as oportunidades contidas na crise porque há muito se fala sobre isso e, de fato, não nos faltam casos de sucesso nascidos em meio a uma crise. 

Neste momento, então, observamos a presença de, no mínimo, dois elementos que contribuem para a inovação: crise e colaboração. A colaboração nem sempre é apontada como um dos principais elementos para inovar, mas é inegável seu potencial disruptivo. 

Em uma pesquisa do início deste ano, o LinkedIn já apontava a colaboração como uma das “top 5” soft skills mais procuradas no mundo. Se a colaboração já vinha assumindo tamanha importância, em tempos de coronavírus ela ganha ainda mais espaço. Equipes da mesma empresa que nunca trabalharam juntas assumem agora novos papéis e percebem a importância de colaborarem entre si, seja na solução de problemas desconhecidos até então, seja na revisão de processos, ou até mesmo na criação de novos. Pessoas da mesma empresa se vêem em processos colaborativos e percebem o valor disso. 

Nestes últimos meses, estão mais visíveis a cooperação entre diferentes empresas, algumas até concorrentes. Outras atuantes clássicas da mesma cadeia, e outras ainda que, naturalmente, não eram vistas como possíveis parceiras, mas se descobriram como tais, diante de um contexto tão inusitado como esse trazido pela crise da Covid-19. Unidas por um único propósito, empresas se munem dos seus principais ativos em prol de um objetivo. 

Diversas companhias e organizações têm unido forças lançando iniciativas e parcerias para minimizar os impactos negativos da pandemia na sociedade. Desde apoio a pequenos negócios, como a união Sebrae e Magalu oferece, até movimentos para arrecadação de fundos para atender as principais demandas para contenção do coronavírus, como é o caso do Movimento União Rio, passando por iniciativas de testagem em massa da Covid-19 a preços de custos, como faz o #2em2, realizado pela Vitta, Cia. da Consulta, Rappi e ONG Renovatio com o patrocínio da XP Inc., QR Consulting e Orbitae, que é uma startup de prontuário de saúde e telemedicina, com apoio e participação da Stone, Loggi, Iguatemi Empresa de Shopping Centers, Mattos Filho e Sic Works. 

Essas interações colaborativas são férteis para o surgimento da inovação, especialmente, diante de um contexto de tantas incertezas e mudanças de paradigmas, em que a inovação pode ser uma grande aliada à sobrevivência e posterior diferenciação das empresas no momento pós crise. 

Dado o potencial da colaboração para fazer surgir a inovação, é preciso ter um foco. Ele é importante para inovação, tanto em processos solitários, quanto em processos colaborativos. Porém, nos últimos ele se torna indispensável, já que em processos desse tipo há maior quantidade de atores envolvidos, tornando-os também mais complexos. 

Aliando-se foco e boa comunicação nos processos colaborativos, a inovação tende a acontecer de forma mais eficiente – consumindo menos tempo, exigindo menores investimentos de capital e tendo maior assertividade. Não que essa seja uma fórmula simples de ser aplicada, mas tendo um processo bem definido, as possibilidades de acertos são maiores, visto que, atuando em rede, cada elo dedica seus principais ativos a favor do objetivo estabelecido. 

É importante dizer que os processos colaborativos tem um grande propósito e ele é o resultado da interação dos propósitos de cada parte envolvida. Então para o líder do processo, é importante convergir os participantes para uma linha de trabalho que, primeiro, estimule o outro a contribuir com aquilo que tem de melhor e, segundo, que os pares se reconheçam quando há uma contribuição efetiva. 

Volto a dizer que estamos numa situação muito propícia à inovação. Os desafios políticos, econômicos e sociais que se instauraram no mundo com essa pandemia nos provocam a rever profundamente todas as esferas da sociedade, em termos de processos e funcionalidades, e isso é um “prato cheio” para inovação. As experiências mais atuais já nos trouxeram aprendizados importantes quanto à colaboração, então é chegado o momento de apropriar-se desses aprendizados para a re-criação da sociedade em um período pós crise.

Nathália Tavares é sócia e diretora comercial da Troposlab, aceleradora de negócios, projetos e pessoas

Foto de capa: Julia M Cameron no Pexels

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