O doce gostinho do sucesso

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O gostinho do sucesso | Troppo!

Com mil reais no bolso e apaixonados pela ideia, casal de namorados desafia mercado e investe em empresa de geleias artesanais

Muitas pessoas se perguntam se é possível viver da sua paixão. Paixão pelo que se exerce é importantíssimo para a realização pessoal e profissional. Pois já dizia Confúcio: “escolha um trabalho que você ame e não terá que trabalhar um único dia em sua vida”. Então a regra para alcançar os seus sonhos é esta: tenha paixão pelo que faz.

Com essa premissa, há dois anos, o casal Lucas Pelisoli e Gabi Mazzucatto – ele arquiteto e ela de relações públicas – não pensou duas vezes em largar suas profissões de formação para mergulhar em um novo desafio, a Troppo!, empresa de geleias artesanais.

Produzem conservas em geral – geleias, picles, relishes, molhos e charcutaria sempre foram a paixão do casal. Antes de iniciarem o projeto já inventavam diversas receitas e, na tentativa e erro, deu certo. Foi então que iniciaram o negócio, produzindo algumas encomendas para familiares, amigos e amigos de amigos. “As encomendas começaram a tomar volume, criamos uma conta no Instagram, postamos algumas fotos e, quando menos esperávamos, os pontos comerciais solicitaram as condições para a venda no atacado”, revela Pelisoli.

Tudo começou…

De início, eles investiram apenas R$1.000,00. Começaram nos fundos da casa de Pelisoli, com um fogão de duas bocas na área da churrasqueira. Com o dinheiro, compraram uma panela de inox, colheres de pau, vidros para o envase, um botijão de gás, adesivos para rotulagem, além de frutas e legumes diversos. R$500,00 eram dele e R$500,00 eram da namorada. Ela, recém-desempregada, e ele, com os jobs bem fracos, não pensaram duas vezes para sacarem o dinheiro e irem às compras.

Começaram os trabalhos com três sabores de geleia e dois de picles, sendo um deles a geleia de maçã com canela, que é o carro-chefe da empresa, e o outro, o relish de cebola roxa.

No decorrer do tempo, eles aumentaram a linha de produção, criando novas combinações e observando a aceitação dos clientes. “No nosso primeiro ano notamos que estávamos atendendo, em grande maioria, o público feminino, então, bolamos os relishes, molhos e antepastos, que passaram a fazer parte da linha no nosso segundo ano de empresa e hoje conseguimos atender igualmente os dois públicos”, afirma.

Com isso as vendas cresceram ainda mais e, após seis meses, o espaço nos fundos de casa ficou pequeno e a necessidade de profissionalizar a empresa ficou maior. Foi então que se mudaram para um imóvel com cozinha, estoque e escritório localizado em Santo André, onde estão até hoje.

“A nossa intenção é continuar como pequenos produtores. A nossa estratégia é manter a estrutura enxuta, com alguns produtos com valor abaixo do mercado e continuar acreditando no produtor artesanal natural”

Lucas Pelisoli, sócio da Troppo!

Produção

Algumas das receitas que produzem são familiares, e as fabricações da Troppo! são totalmente naturais e artesanais, o casal não utiliza conservantes, corantes, polpas, extratos nem concentrados de frutas ou legumes; eles fazem questão de ir pessoalmente aos fornecedores escolher as frutas e legumes frescos, diretamente da roça para a fábrica. E todo o processo de preparação, cocção e embalagem é manual.

Para o acabamento do rótulo e produto, buscaram inspirações no Pinterest e viram alguns produtores artesanais da Europa com um acabamento da embalagem similar. “O kraft e o sisal deixam o produto com um aspecto manual, bonito e caprichado”, remete Pelisoli.

A empresa possui uma linha vasta de geleias, relishes, molhos, picles e antepastos. “Conseguimos atender nossos clientes com uma linha natural, artesanal e completa, que agrada a diversos tipos de público, gênero e idade; com R$20,00 você compra um produto natural, delicioso e artesanal, enquanto o industrializado custa R$16,00”, reflete.

Ele desabafa que ainda estão na briga com os gigantes da indústria, pois é muito difícil introduzir ao consumidor os benefícios de não ingerir conservantes ou corantes. “O produto natural e artesanal consequentemente tem um preço mais elevado do que o industrializado, por isso que criamos uma linha de entrada, com uma margem baixíssima, para tentarmos ‘pescar’ esse público e mostrar a ele que o produto natural e artesanal é muito diferente, tem sabor, tem saúde e tem qualidade”, mostra o sócio.

Sucesso conquistado

A empresa tem bastante dificuldade com a sazonalidade dos ingredientes, pois, por se tratar de insumos frescos, o preço sobe da noite para o dia. Ou seja, choveu mais no sul, o preço da maçã pode subir até 100%.

No início, enfrentaram ainda as dificuldades de todo empreendedor: a dúvida, o medo, a concorrência e a burocracia, mas com persistência e paciência conseguiram vencer os desafios. “Já atingimos um certo reconhecimento no segmento de alimentos artesanais, muitos dos colegas já nos conhecem. Mas este reconhecimento demanda tempo, não basta o produto ser bonito e estar na prateleira, o cliente precisa olhar, gostar, comprar, experimentar e amar.”

Além disso, o sócio diz ter notado que as marcações em publicações nas redes sociais vêm aumentando, e isso é fruto de todo trabalho que fizeram desde o início. No começo eles faziam a exposição dos produtos em vários locais, montavam uma mesinha de degustação em salões de cabelereiros, pet shops, lojas de roupa, etc. Participaram de muitas feiras e eventos também, isso fazia com que sentissem o público, pois ofereciam as degustações e na hora já sabiam o que o cliente achava dos produtos.

Atualmente, estão em mais de 50 pontos de venda em 11 estados mais o Distrito Federal, dentre eles, empórios, delicatéssen, boutiques de carne, casas de importados, conveniências e minimercados. O primeiro ponto de venda foi um Café em Santo André/SP. Eles ofereciam consignação em vários estabelecimentos e isso fez com que a marca ficasse conhecida. Com o tempo, aumentaram a distribuição, fechando parcerias, revendas e distribuições para outros pontos e estados.

“O produto natural e artesanal consequentemente tem um preço mais elevado do que o industrializado, por isso que criamos uma linha de entrada, com uma margem baixíssima, para tentarmos ‘pescar’ esse público e mostrar a ele que o produto natural e artesanal é muito diferente, tem sabor, tem saúde e tem qualidade”

Lucas Pelisoli, sócio da Troppo!

Crescimento

No início, o empresário revela que o faturamento era baixíssimo, em torno de R$2.000,00 por mês. Mas, após todo o trabalho de divulgação, o faturamento deu um boom no final do primeiro ano. Hoje faturam em média, por mês, R$25 mil bruto. São um time de cinco pessoas, sendo ele e a Gabi como sócios, um funcionário e os sogros como voluntários, que ajudam na rotulagem e embalagem dos produtos. “A nossa intenção é continuar como pequenos produtores. A nossa estratégia é manter a estrutura enxuta, com alguns produtos com valor abaixo do mercado e continuar acreditando no produtor artesanal natural”, afirma Pelisoli.

Portanto, os planos de expansão no momento são abrir mais pontos de revenda dos produtos, principalmente em locais onde ainda não estão.

Além disso, estão montando cursos e workshops de como produzir geleias, picles, relishes e charcutaria artesanal, em módulos, para ministrar aos clientes. “Pretendemos passar o conhecimento adiante e encorajar novos empreendedores, tornando a força do produto artesanal brasileiro ainda maior e mais valorizado”, finaliza.

Curiosidades Troppo!

O casal e sócios Lucas Pelisoli e Gabi Mazzucatto são de descendência italiana, o pai de Pelisoli sempre falava em casa a palavra “troppo” em algumas frases, como hoje está “troppo caldo” (muito calor), “mia squina dolore troppo” (minhas costas doem muito), “troppo lavoro” (muito trabalho). A palavra acabou ficando gravada na cabeça do casal e, quando foram pensar em um nome para a empresa, queriam que fosse algo em italiano, com aspecto forte e fácil de dizer e gravar, foi então que a palavra Troppo! veio rápido e à tona. Troppo! Artesanal. Muito ou demais artesanal.

Novidades

Com o sucesso que tiveram com os relishes de cebola roxa e de pepino no ano passado, eles decidiram trazer de novidade ao mercado mais dois sabores exclusivos: relish de maxixe picante e relish de abacaxi com manjericão. Ambos aprovados após muitos testes e degustações em feiras com os clientes

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