Não há sucesso sem persistência

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Ao contrário do que muitos imaginam, abrir um negócio não é para todos, mas para quem sonha, vivencia e tem a coragem de desbravar o mercado. Conheça histórias de quem foi atrás, persistiu, conquistou e encontrou o seu caminho por meio do próprio negócio.

O Brasil é um dos países com mais pessoas buscando o empreendedorismo. Claro que nem todos já nascem com o dom e as habilidades para tal, mas empreender exige que as pessoas estejam dispostas, pelo menos, a correr riscos, enxergar o que outros não veem, ter coragem de sair da zona de conforto e não ter medo de ir atrás dos sonhos. Exige ainda um instinto de liderança e criatividade. São habilidades cruciais para que o negócio dê certo. Mas se você não tem essas características, ir atrás delas já é um caminho. Pois, se o empreendedorismo bater à sua porta, não perder a oportunidade, saber aproveitar a chance e explorar, com certeza você se tornará um empreendedor.

Por isso, nesta edição, reunimos histórias de pessoas que sonharam, batalharam e, sobretudo, jamais desistiram do empreendedorismo mesmo com os obstáculos da vida. Portanto, inspire-se, motive-se e vá atrás do seu sonho também.

Persistir é a chave

O empresário Sérgio Gotti não acredita em dom para empreender, ele acredita que há pessoas com um sonho e que correm atrás para realizá-lo. “Empreender é traçar os objetivos para realizar os sonhos. Para isso, as pessoas devem ser movidas mais pela satisfação do que pelo dinheiro, porque o caminho é tortuoso até que o resultado seja positivo e, se o fim for só o dinheiro, então a chance de que essa pessoa desista e não tenha sucesso empreendendo é bem grande. É preciso sonhar muito e fazer algo para realizar isso”, demonstra.

Sua veia empreendedora apareceu bem cedo. Com apenas nove anos, para juntar alguns trocados, ele já vendia bacias de plástico na feira com material de injeção que seu pai trazia da empresa onde trabalhava. “Além disso, comecei a trabalhar formalmente ainda novo, com 14 anos fui jovem aprendiz em uma empresa que fabricava controladores de temperatura e fiz colegial técnico na área de automação industrial, passando por diversas empresas na área, como Digicon, BCN e Sercon”, conta ele.

Apesar de ter trabalhado em sua área desde cedo, sempre nutriu o sonho de ter seu próprio negócio, mas não sabia que a oportunidade para que isso se concretizasse viria com uma simples revenda de canetas carimbo. “Enquanto eu trabalhava fora, minha esposa, Thais, passou a vender o produto em casa. A primeira caneta foi vendida para um amigo, que pagou a compra com uma nota de dez dólares. Em 1993, eu ainda era gerente comercial da Sercon e decidi aproveitar a participação da empresa em uma feira para locar um estande de dois metros quadrados e levar minha esposa para vender as canetas, um negócio que era apenas uma fonte de renda extra para a gente”, explica.

No primeiro dia de evento, sua esposa vendeu 500 unidades e então ele tomou a decisão de pedir demissão do emprego a fim de seguir seu sonho. No ano seguinte, participaram de uma feira de material promocional com outros produtos, como relógios de mesa e de parede, e conseguiram o primeiro grande cliente, a Saraiva Data, que encomendou 400 unidades de relógios feitos em CDs. A partir daí, a sua empresa, Sertha Brindes, começou a se desenhar e entraram fundo no segmento de brindes e materiais promocionais personalizados.

Nesses 22 anos à frente da Sertha Brindes, Sérgio Gotti diz que já passou por muitos momentos de oscilação do mercado com crises internas, mudança da moeda, governos com objetivos diferentes, crise de energia elétrica, bolha de 2008, enfim, diversos altos e baixos. Mas a maior dificuldade, segundo ele, é você não ter experiência de como administrar e gerenciar uma empresa e também de como lidar com os seres humanos, que é um dos grandes desafios. No entanto, acredita que enquanto o sonho for maior que os prejuízos, ele vai continuar e nunca pensar em desistir.

Hoje, seu maior desejo profissional é deixar um legado de ter as máquinas da Sertha Brindes espalhadas por todo o mundo. “Tudo o que eu sei da minha vida pessoal, financeira e profissional, aprendi com o empreendedorismo. Errei muito e perdi muito dinheiro antes de acertar”, conta o fundador e diretor da Sertha Brindes – empresa de marketing promocional.

Em busca do sonho

O empresário Marcelo Blay buscou o empreendedorismo em uma fase de vida interessante: já estava com 44 anos e acumulava experiências profissionais em grandes empresas, como Porto Seguro e Itaú, além da formação acadêmica. Ele é engenheiro mecânico e fez MBA no Brasil com especialização nos Estados Unidos. Além disso, conseguiu guardar uma reserva financeira para ter condições de tentar lançar a carreira como empresário. “Ter o dom é algo difícil de afirmar que tenho, mas usei um exemplo familiar para fundar a Minuto Seguros: meu avô se lançou como empreendedor aos 56 anos de idade, na década de 1970, e teve muito sucesso. Acho que me serviu de inspiração”, pontua.

Segundo ele,o negócio, porém, não bateu à sua porta, ele saiu em busca dele quando resolveu deixar a carreira corporativa para empreender. E tinha muito claro em sua mente: precisaria buscar algo na sua área de atuação, que é o mercado de seguros, pois assim minimizaria seus riscos. “Pensei que seria um desperdício abrir mão de todo o conhecimento técnico e do relacionamento com as pessoas do setor de seguros, portanto foquei minha busca por oportunidades no mercado onde tenho tradição familiar. Minha família trabalha em seguros no Brasil desde 1933”, conta.

Desde 2006 no mercado, Blay conta, no entanto, que as maiores dificuldades da empresa no mercado começaram a acontecer com o momento político-econômico que vivemos. “É impossível ficar imune a uma crise como a que estamos passando, com a perda de poder aquisitivo dos consumidores e o desemprego. Posso dizer que estamos conseguindo manter uma trajetória de crescimento apesar dessa situação, mas com sacrifícios. Estamos fazendo o impossível para não demitir pessoas; continuamos contratando e investindo em treinamento da equipe, tecnologia e infraestrutura, abrindo mão de rentabilidade”, revela e completa, no entanto, que nunca sequer pensaram em desistir. “A Minuto Seguros é a concretização de um sonho antigo, temos que aproveitar a oportunidade da crise para preparar a base que nos permitirá atingir patamares mais altos quando a economia voltar a crescer”, afirma.

O seu modelo de negócio, que é a venda de seguros pela internet com suporte de atendimento humano, é um dos pioneiros no Brasil. Tomando como exemplo o seguro de automóvel, eles possuem 45 milhões de veículos na frota circulante, mas apenas 15 milhões possuem seguro. Então o modelo de negócio conseguiu atrair pessoas inseridas no universo de 30 milhões de consumidores que até então não compravam seguro por não saber como chegar ao canal de vendas. Em sua opinião, a internet foi quem democratizou a oferta de uma série de produtos e serviços, como os seguros.

Agora, Marcelo Blay quer consolidar a Minuto Seguros como uma referência nesse segmento, primando pelo atendimento ao cliente e tendo um clima organizacional excelente para os funcionários.

Desistir não é uma opção

Luciana Provenzano Gomes sempre teve vontade de empreender. Desde pequena fazia bijou e vendia. Aos 15 anos, pediu para o pai comprar um conjunto de iluminação de festa para ela alugar e, aos 16, para conseguir um trabalho na empresa onde ele trabalhava, pois queria estagiar, já que estava se formando técnica em Administração. “Aos 17 anos entrei para a Faculdade de Relações Internacionais e vendia calças jeans para pagar a faculdade. No primeiro período, consegui estágio em uma empresa de importação, saí e fui trabalhar em uma gráfica rápida. Aos 19, uma amiga me chamou para montar uma gráfica nos mesmos moldes da que eu trabalhava. Iniciamos o negócio com um computador, o meu na época, o dinheiro do chevette que ela vendeu e um empréstimo do namorado dela. Daí não parei mais de empreender. São muitas histórias engraçadas e vários desafios”, conta.

A empresária entrou no negócio com a certeza de que daria certo. “Passei noites sem dormir alceando papéis, colocando espiral, imprimindo. Depois percebi que precisava entender de tudo. Aprendi na marra sobre contabilidade, impostos etc. Tive alguns prejuízos, mas me trouxe muita experiência. Desistir não é uma opção!”, considera.

No entanto, Luciana foi mudando como pessoa e com isso perdeu a motivação de trabalhar com impressão e design. “Queria fazer a diferença no mundo, conectar com minha missão e precisei empreender com significado. Foi aí que comecei a trabalhar com educação e sustentabilidade”, afirma. Em 2009, então, a empresária fundou com sua irmã, Paola Souza, a Tao Sustentabilidade, uma empresa de desenvolvimento e aplicação de treinamentos corporativos sustentáveis.

Segundo ela, as pessoas são a essência da sua empresa. “Nossa equipe e nossos parceiros amam o que fazem e isso torna nossa empresa diferenciada e próspera. Quando criamos e implementamos um projeto, além da preocupação com entrega, prazos, nos preocupamos com quem vai receber e colocamos um ingrediente essencial. Nossos valores são a receita do sucesso. Por isso, indico que as pessoas empreendam de forma sustentável. O mundo precisa de empreendedores que criem soluções considerando em primeiro lugar a melhoria da sociedade”, indica.

Saber aonde quer chegar

Gilson Val sempre foi uma pessoa inquieta e curiosa, que busca explorar tudo ao máximo. Por isso, nunca teve problema para escolher o caminho que queria seguir, pois acreditava que, se ele se apaixonasse, era o caminho certo. “Seja a criação de um filme, criação gráfica ou criação de uma cerveja. Ser empreendedor é estar sempre com a mente ligada às nossas inspirações e ter a capacidade de materializar. E sempre fui assim, desde pequeno, nessa busca constante pela criatividade e novas realizações”, confia.

A Jeffrey foi fundada por quatro amigos que viajam juntos há mais de 14 anos, sempre em busca de novas culturas e sabores. “Na viagem para o que chamamos de Disneylândia da cerveja, a Bélgica, voltamos com as malas carregadas de rótulos, histórias, inspirações, trazendo um pouco da magia de lá. Nos reunimos no Rio, como de costume, para provarmos juntos os produtos locais relembrando os momentos da viagem, resgatando um pouco de tudo o que vivemos lá. A cada novo gole, provando as diferentes cervejas belgas, pensamos como seria bacana criar a própria cerveja. E se criássemos a nossa? Qual sabor ela deveria ter?”, relembra.

Do papo para a concretização do sonho foram inúmeras noites de debates entre os amigos, de muita troca, dedicação total e inúmeros investimentos. Os quatro sócios são bem-sucedidos nas suas atividades anteriores à Jeffrey, portanto tiveram a capacidade de construir a marca à sua maneira, seguindo a essência e sem se preocuparem com o mercado. “Nós quatro temos expertises de outras áreas, comunicação, marketing, mercado financeiro, o que nos facilitou na execução do negócio. Na parte lúdica, como não éramos cervejeiros, ingressamos nesse universo com um olhar fresco, carregado de novas ideias, sem as amarras de um mercado preso às tendências. O grande conceito que rege a Jeffrey é o fato de não sermos uma marca de cerveja, mas de cultura, a cerveja como uma plataforma de expressão cultural”, afirma.

Segundo Val, a Jeffrey é uma empresa de cinco anos, mas que parece ter um tempo de estrada muito maior, por tudo o que eles vêm promovendo, pela demanda que recebem, tendo oportunidade, inclusive, de exportar. “Os nossos produtos tiveram enorme aceitação por chefs queridos e renomados. Poder sonhar com produtos que as pessoas vão provar no futuro é inspirador. Estamos indo bem financeiramente e, claro, buscando sempre melhorar. O mercado das cervejas e produtos especiais está se desenvolvendo muito positivamente no Rio/Brasil. A Jeffrey nasceu na hora certa para atender à demanda crescente de um público viajado, que evoluiu o seu paladar e aprimorou o seu gosto – e está na constante busca por novas experiências”, finaliza.

Determinação e ousadia

A empresária Luzia Costa sempre teve o espírito empreendedor e sempre quis ter o seu próprio negócio, desde o carrinho de lanches lá no passado até chegar ao segmento certo, que é o de beleza e estética. “Este caminho me deu a experiência para ter sucesso no ramo e no meu negócio”, conta.

Como sempre teve essa vontade de crescer e empreender, foi uma pessoa determinada, pois acreditava que dificilmente um empreendedor consegue se sair bem na primeira vez, então o segredo é não desistir. “Como fui insistente e encontrei o ramo pelo qual realmente era apaixonada, o negócio de início não foi fácil, mas tenho amor pelo que faço, o negócio deslanchou e hoje somos uma rede de sucesso”, comemora.

Luzia aprendeu muito quando esteve à frente de negócios de outros ramos com os quais não se identificava tanto como o de alimentação. “Quando quebrei a pizzaria também foi um dos momentos mais difíceis para reconquistar tudo e recomeçar. A determinação de nunca desistir me ajudou nesses momentos”, afirma.

Ela diz que tanto a Sóbrancelhas como a Beryllos estão inseridas em um mercado que cresce sempre, tendo feito a diferença no segmento. “Usamos este momento de crise para reaquecer a economia. Acreditamos que em meio à instabilidade, o empresário se destaca por sua eficiência, criando e gerando oportunidades para as pessoas”, acredita.

Luzia diz que pretende continuar seu plano arrojado de crescimento. Ser uma empresária de sucesso no ramo de atuação, trabalhando junto qualidade e serviço, além de gerar novas oportunidades para o mercado. “Tem que ter dedicação ao negócio, identificar-se com ele. O caminho é difícil, com alguns obstáculos, porém, com determinação e sem pensar em desistir, o sucesso e o crescimento virão”, finaliza.

Olhos e fotos

Sérgio Gotti, fundador e diretor da Sertha Brindes - empresa de marketing promocional

“Tudo o que eu sei da minha vida pessoal, financeira e profissional, aprendi com o empreendedorismo. Errei muito e perdi muito dinheiro antes de acertar”

Sérgio Gotti, fundador e diretor da Sertha Brindes – empresa de marketing promocional

Crédito: Divulgação/ CM Comunicação Corporativa


Marcelo Blay é presidente da Minuto Seguros

“Pensei que seria um desperdício abrir mão de todo o conhecimento técnico e do relacionamento com as pessoas do setor de seguros, portanto foquei minha busca por oportunidades no mercado onde tenho tradição familiar”

Marcelo Blay é presidente da Minuto Seguros

Crédito: Divulgação/ Pros Outstanding Solution


Luciana Provenzano Gomes, diretora da Tao Sustentabilidade

“Aprendi na marra sobre contabilidade, impostos etc. Tive alguns prejuízos, mas me trouxe muita experiência. Desistir não é uma opção!”

Luciana Provenzano Gomes, diretora da Tao Sustentabilidade

Crédito: Divulgação/ Contexto


Gilson Val sócio da Jeffrey Beer – marca de cervejas especiais

“Seja a criação de um filme, criação gráfica ou criação de uma cerveja. Ser empreendedor é estar sempre com a mente ligada às nossas inspirações e ter a capacidade de materializar”

Gilson Val sócio da Jeffrey Beer – marca de cervejas especiais

Crédito: Divulgação/ Documenta Comunicação


Luzia Costa, fundadora da Sóbrancelhas e da Beryllos

“Tem que ter dedicação ao negócio, identificar-se com ele. O caminho é difícil, com alguns obstáculos, porém, com determinação e sem pensar em desistir, o sucesso e o crescimento virão”

Luzia Costa, fundadora da Sóbrancelhas e da Beryllos

Crédito: Divulgação/ Economídia

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