Mulheres no Comando: Dani Junco e as mães da B2Mamy

Comentários (0) Beatriz Bevilaqua, Startups

 M U L H E R + S T A R T U P  | Por Beatriz Bevilaqua


“Para empreender é preciso se conhecer primeiro, saber no que você acredita e que tipo de negócio vai te fazer feliz. Além disso, é preciso olhar para quais recursos você tem: tempo, dinheiro e apoio. Isso é extremamente importante para quem quer começar um novo negócio, é muito além de só estar apaixonado por uma ideia e querer realizá-la”


Seguindo a série de reportagens com as mulheres mais poderosas do ecossistema de startups brasileiro, desta vez falamos sobre maternidade e empreendedorismo com a fundadora da B2Mamy, Dani Junco – a mulher que empreendeu para ajudar outras mães a fazerem o mesmo. Ela está à frente de um dos mais reconhecidos Hubs de Inovação do país que é inclusive o primeiro espaço baby friendly dedicado a capacitação e conexão de famílias e marcas que tenham fit com o segmento, transformando o mundo em um lugar mais inclusivo e empático.  

A B2Mamy tem o propósito de formar mulheres líderes e livres economicamente e prover dados para que o mercado reaja positivamente a esse novo status quo. Confira comigo essa entrevista maravilhosa que tive com a fundadora:

“Você não precisa estar em lugar nenhum para completar suas tarefas, por isso acredito que o híbrido venha para ficar. Eu acho que o futuro terá um ecossistema de trabalho mais diverso, por exemplo, as empresas vão poder contratar alguém de vários estados do Brasil. Com a pandemia, o mundo se tornou mais flexível e mais compartilhado”

Você é CEO e fundadora da B2Mamy inspirando milhares de mães à empreenderem. Você se lembra como foi o primeiro contato que teve com o ecossistema de startups e como vê a evolução do mercado?

A primeira vez que eu tive contato com o ecossistema de inovação foi em 2015, quando participei de um evento do Startup Weekend. A primeira impressão que eu tive foi, na verdade, o grande insight da B2Mamy. Eu notei que haviam pouquíssimas mulheres presentes e as que eu vi não tinham minha idade e não eram mães. Quando cheguei nesse evento, eu me encantei pelo método ágil e o formato provocativo de ter um projeto para entregar em um certo período de tempo, também adorei o formato colaborativo, no qual você aprende e divide com o outro suas experiências, foi intrigante e apaixonante. Naquele dia, eu percebi que eu não me senti bem vinda, não pelas pessoas que me receberam, mas por não ver outras mulheres mães envolvidas nesse evento e na liderança do ramo das startups. 

Algum tempo depois, em outro evento do ecossistema, questionei a quem estava presente sobre a falta de negócios com CEOs mães e me responderam que o mundo de startups é muito duro para mulheres mães e que ter uma startup é fulllife, por isso é muito complicado colocar uma startup de pé e ter um filho ao mesmo tempo. De 4 anos para cá, isso mudou e  eu coloco a B2Mamy como um dos fatores dessa mudança do aumento de mais mulheres mães fundadoras no mercado.

Você acha que existe muita diferença no olhar de liderança entre homens e mulheres na execução de Hubs de Inovação? Por quê mais mulheres estão assumindo esses cargos? 

Acredito que hubs de inovação são comunidades e a gente precisa unir as pessoas nelas, e eu penso que unir pessoas em comunidades seja algo muito feminino. Agregar, trazer, gerenciar conflitos, ouvir, entender, criar um espaço que além de “wifi, cadeira e mesa” tenha pertencimento e mais pessoas queiram estar presentes, não só pelas vantagens, mas também pelas pessoas que estão lá… É algo muito feminino. Eu imagino que homens e mulheres que tem esse “olhar feminino” para a vida conseguem gerenciar melhor espaços assim. A Casa B2Mamy Wishe, primeiro espaço de colearning do Brasil, que integra funcionalidades de educação, networking e inovação especialmente para mães empreendedoras, já nasceu assim, por ser um lugar essencialmente feminino, ganhou um destaque e se diferenciou do mercado desde 2019.

Falta mais diversidade no ecossistema (sabemos), quais iniciativas podem diminuir essa disparidade, sobretudo aqui no Brasil? 

Existem várias iniciativas muito bacanas e, falando pontualmente no recorte do mercado de startups, faltam muitas mulheres liderando empresas de tecnologia e aparecendo em revistas de negócios. Alguns projetos de tecnologia incríveis que deveriam ganhar mais atenção são: Mastertech, da Camila Achutti, Reprograma, da Mariel Reyes, Programaria, da Iana Chan e agora o Ela é CTO da B2Mamy. O programa Ela é CTO nasceu de uma parceria da B2Mamy Aceleradora com a Mastertech, escola que oferece cursos nas áreas de tecnologia emergentes e negócios digitais, e têm como principal objetivo reduzir o gap de gênero nesse setor e formar mães para serem líderes em tecnologia. Estou otimista e acho que o cenário está melhorando e se tornando menos desigual. 

Qual foi o maior desafio de sua carreira até hoje? Como conseguiu lidar? Tem algum conselho para as mulheres que desejam empreender e não sabem por onde começar?

Na minha carreira antes da B2Mamy, quando eu trabalhava para o mundo corporativo, meu maior desafio sempre foi conseguir me colocar em posições de liderança em um meio totalmente masculino. Não posso dizer que tive desafios em relação a medo e angústia do que estou fazendo, venho de uma família extremamente matriarcal que sempre me ensinou sobre a importância das mulheres e me incentivou a ocupar mais lugares. Em relação à maternidade, outros desafios surgem, como conseguir organizar e conciliar o trabalho e os filhos. Para as mulheres que desejam empreender, recomendo primeiro entender se realmente gostaria de fazer isso e entender quem você é. Para empreender é preciso se conhecer primeiro, saber no que você acredita e que tipo de negócio vai te fazer feliz. Além disso, é preciso olhar para quais recursos você tem: tempo, dinheiro e apoio. Isso é extremamente importante para quem quer começar um novo negócio, é muito além de só estar apaixonado por uma ideia e querer realizá-la.

Como você vê o futuro dos espaços compartilhados? Teremos mais modelos híbridos? Acha que um dia o físico será totalmente substituído pelo digital? O que ficou de grande aprendizado pós Covid-19?

Não necessariamente só os espaços, mas o mundo atualmente é compartilhado: co-living, co-working, co-learning. Agora a gente vem de uma era que vem do modelo Fordista, principalmente na minha geração existe um pensamento de ter em abundância, ser escasso, ser VIP e exclusivo e quem tem essa mentalidade acaba tendo muita dificuldade de compartilhar com o outro. A nova geração é uma geração que não quer carteira de motorista, que não entende pra que ter carro, que não entende pra que ter imóvel, porque se mantém em grande movimento o tempo inteiro. Eu acho que o espaço compartilhado é umas das coisas mais inteligentes a se fazer, você consegue compartilhar espaços de festas, de ensino, de trabalho. E é onde a Casa B2Mamy Wishe entra, um espaço completamente compartilhado e colaborativo. Sobre o coronavírus, o que ficou de lição para mim é que você não precisa estar em lugar nenhum para completar suas tarefas, por isso acredito que o híbrido venha para ficar. Eu acho que o futuro terá um ecossistema de trabalho mais diverso, por exemplo, as empresas vão poder contratar alguém de vários estados do Brasil. Com a pandemia, o mundo se tornou mais flexível e mais compartilhado.

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