Isolamento social na pandemia: quais foram as mudanças de mindset?

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Por Tatiana Pimenta*

É fato que a pandemia de Covid-19 causou muitas mudanças no Brasil. No ambiente corporativo, a situação não é diferente. Organizações de todo o país precisaram se reinventar e tomar decisões drásticas para passar por esse momento delicado da maneira que causasse menos prejuízos. 

É oportuno olhar para esse período inédito na história moderna da humanidade com um olhar minucioso. O que mudou? O que se pode aprender com o isolamento social? A cultura organizacional não se modifica com rapidez. Ano após ano, as normas de conduta, os valores e as ações mudam para se adaptar a novidades pontuais. Entretanto, devido à pandemia de Covid-19, muitas transformações aconteceram, por vezes, da noite para o dia.

Gestores e/ou líderes organizacionais devem considerar com cautela quais modificações desejam manter e quais devem ser descartadas.

 1. Flexibilidade no ambiente de trabalho

Empresários e colaboradores descobriram que podem concluir grande parte de seu trabalho em casa ou em outros locais contanto que tenham acesso ao equipamento necessário e à internet. As reuniões não precisam necessariamente ser presenciais. Mudanças no ambiente de trabalho não afetam, de fato, a produtividade. Pelo menos, não de todos os departamentos ou colaboradores.

Isso significa que a partir de agora todas as empresas devem adotar o regime home office? Na verdade, não.

O desempenho profissional de colaboradores que trabalharam de casa durante o isolamento social demonstra que pode haver mais flexibilidade no ambiente corporativo. Muitas vezes, existe o medo de fazer mudanças que interfiram no rendimento e na qualidade do trabalho, principalmente quando as equipes seguem determinados métodos por muitos anos. O isolamento social provou que este temor nem sempre é racional.

A qualidade do ambiente de trabalho influencia o entusiasmo dos colaboradores, as relações interpessoais e a vontade de se deslocar diariamente até a empresa. Logo, é importante avaliá-lo e reavaliá-lo com o tempo, mesmo que tudo pareça estar indo bem na superfície. 

 2. Importância das relações cara a cara 

Esse ponto pode parecer contraditório ao anterior, mas não é. Vou explicar melhor. O isolamento social colocou as relações sociais em posição de evidência. Embora as videochamadas sejam úteis para suprir a saudade de entes queridos e, no âmbito profissional, manter o contato com as equipes, as interações cara a cara ainda proporcionam maior conexão.

Quando você convive com uma pessoa diariamente, consegue desenvolver um relacionamento na base da confiança com ela. Você não percebe somente as suas competências e postura profissional, mas, sim, a sua individualidade como um todo. Esse conhecimento é essencial para manter equipes de trabalho unidas. Além disso, existem outras formas de demonstrar comprometimento do que simplesmente estar presente e é através das interações cara a cara que elas são percebidas.

Sendo assim, ações para interação entre colaboradores podem ser promovidas mais frequentemente. Colaboradores que voltam do isolamento social estão ávidos por interações sociais significativas. Pessoas reagem de modo diferente em momentos de crise. Enquanto umas conseguem lidar com situações complicadas sem sofrer grandes impactos emocionais outras entram em pânico e ficam deprimidas e angustiadas.

3. Inovação é possível

A adoção rápida da tecnologia para o trabalho remoto e para solucionar problemas corriqueiros modificou o ambiente corporativo permanentemente, bem como influenciou o modo como as organizações interagem com consumidores.

O modelo de negócios de muitas organizações precisou ser repensado para dar continuidade as operações. Empresas com mindset totalmente tradicional foram obrigadas a aprender a usar softwares de videochamada e compartilhamento de documentos. Uma história que se tornou bastante comum devido ao isolamento social, por exemplo, foi o uso de aplicativos de entrega e o atendimento totalmente virtual por parte dos empreendimentos gastronômicos.

Momentos de crise, quando observados com otimismo, são ótimas oportunidades para inovar e trabalhar a criatividade. Para isso, gestores devem investir em capital humano, permitindo que os colaboradores se adaptem ao novo modelo de negócio e aprendam a usar novas ferramentas. Ah, mas e se não tiver capital sobrando para fazer isso em face de tantas mudanças? Quem tem facilidade pode ensinar quem não tem, promovendo cursos de curta duração dentro da empresa.

 4. Foco nas equipes

O isolamento social deixou claro que o trabalho em conjunto é essencial para a superação de momentos de crise. Colaboradores, sem dúvidas, estão mais fragilizados e incertos em razão da pandemia de Covid-19. As necessidades deles devem ser colocadas em posição de prioridade por líderes e gestores. Ou seja, os seus receios e dúvidas devem ser ouvidos e tranquilizados com informações relevantes e atualizadas.

O bem-estar individual nunca foi tão valorizado quanto no último ano. As pessoas perceberam a importância de ficar bem e o quão difícil é manter a saúde mental diante de adversidades. Os líderes, então, assumem um papel crítico. Eles podem promover check-ups periódicos em forma de diálogo para que os colaboradores compartilhem como se sentem e recebam o apoio necessário para a retomada gradual da rotina de trabalho.

Este é um estágio fundamental do gerenciamento de crise organizacional. As ações tomadas neste momento podem ser replicadas em outros períodos de crise, principalmente quando afetam a saúde mental de colaboradores. 

Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude, startup referência em psicologia online e saúde emocional corporativa. Atua também como Business & Executive Coach, ajudando empresas e líderes a atingirem resultados extraordinários. Desenvolve trabalhos de consultoria empresarial nas áreas de gestão de vendas e cultura organizacional. Graduada em Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Londrina; MBA em Gestão Empresarial pela UFMS, MBA em Finanças pelo IBMEC e MBA Executivo pelo Insper. É Business and Executive Coach formada pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC).
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Foto de capa: Griffin Wooldridge no Pexels

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