Energia solar vai ajudar o mercado no pós-Covid

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Segundo o fundador da Blue Sol, o consumidor quer gerar sua própria energia através de fontes renováveis e, por esse motivo, acredita que sua empresa se destacará ainda mais no setor
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A energia solar vem sendo apontada por especialistas como um dos mercados que vai ajudar a alavancar a economia e a geração de empregos no pós-Covid-19 – afirmou Nelson Colaferro, sócio-fundador da Blue Sol Energia Solar sobre o crescimento e o futuro desse mercado no cenário brasileiro.

Em entrevista para o Gene PME, o empresário acredita, inclusive, que a Blue Sol Energia Solar com toda certeza será uma das que mais se destacará, pois além de ter 10 anos de atividade, a empresa está se digitalizando e se preparando para isto muito rapidamente. “A pandemia nos obrigou a mergulhar profundamente em todos os nossos processos e tenho certeza que deixará um saldo de melhorias muito significativo”, destaca.

Confira a entrevista sobre o seu pioneirismo no setor e como a geração solar fotovoltaica é uma coisa óbvia para o Brasil mesmo em uma fase embrionária.

Em que momento da sua vida soube que possuía uma veia empreendedora?

  • Nelson Colaferro: O empreendedorismo é uma realidade muito presente na minha vida e na minha família. Comecei a empreender muito cedo, fazendo peças de enfeite para a casa das minhas tias usando o que conseguia garimpar no ferro velho da nossa oficina mecânica. Separava as peças, limpava, pintava e montava alguma coisa que imaginava ser útil. Sempre pensei em ter o meu próprio negócio, ser o dono da minha agenda e respeitar as minhas ideias. A estrada é longa e muitas vezes esburacada, mas o aprendizado é valioso e definitivo.

Antes você atuava no setor automotivo, por que desistir para empreender nesse segmento de energia solar?

  • O negócio no setor automotivo trouxe bons frutos, mas começou a deixar de fazer sentido, porque entendi que o mundo da forma como conhecíamos iria mudar muito. Acredito fortemente no impacto ambiental e tenho o sonho de deixar um mundo mais limpo para quem vier em seguida. Entendi que dirigir, parar em postos de gasolina, passar horas em estradas isolados não é mais o que as pessoas buscam e, por isto, viveremos uma brutal transformação neste segmento e eu não tinha tempo para esperar. A geração solar fotovoltaica é uma coisa óbvia e está apenas começando. A tecnologia ainda está em uma fase embrionária e, com certeza, muitas novidades estarão a nossa disposição no futuro próximo.

Mas quando surgiu então a ideia de criar a Blue Sol?

  • Quando comecei a pensar em negócios para investir, ainda se falava pouco na geração de energias limpas no Brasil, entre elas a solar. Foi só com os apagões em 2001, 2002 e em 2009, bem como outros entre 2011 e 2014, assim como os sucessivos reajustes nas tarifas de energia e as discussões sobre a questão ambiental, que começou a surgir mais espaço para a discussão sobre outras formas de gerar e consumir energia no País. Pesquisando o mercado, vimos que a geração de energia no ponto de consumo já caminhava a passos largos nos Estados Unidos e em países da Europa, então, resolvemos estudar o mercado mais a fundo, assim como as tendências para o futuro. Viajamos pelo mundo para conhecer as principais tendências do setor e visualizar o que estava ocorrendo no exterior. Concluímos que aquele grande movimento visto em outros países ocorreria cedo ou tarde no Brasil, então, decidimos investir todo o nosso tempo e nossas carreiras no negócio, que já acreditávamos e enxergávamos ser promissor.

E desde que surgiu em 2009, qual foi a evolução da empresa no mercado?

  • Quando começamos nossas atividades no segmento de energia solar, a Blue Sol fazia apenas a importação, distribuição e revenda de equipamentos para instalação de sistemas fotovoltaicos desconectados da rede. Na realidade não era o que tínhamos projetado. O que queríamos fazer eram sistemas conectados, mas no Brasil ainda não tínhamos uma regra e não era permitido que sistemas conectados fizessem o “trade” de energia com a rede. Assim, iniciamos com a importação, distribuição e revenda de equipamentos e com o passar dos anos e a evolução das normas, acrescentamos serviços e produtos à nossa empresa, como o desenvolvimento de projetos, a instalação e conexão dos sistemas à rede e a capacitação de empreendedores para o segmento.

E porque entrar para o mercado de franchsing?

  • Decidimos iniciar nossa expansão por meio do sistema de franquias em 2016. Enxergamos no franchising a melhor maneira de levar a bandeira do nosso negócio para todo o território brasileiro sem perder nosso padrão de qualidade de serviço e atendimento, de maneira sólida e bem estruturada, com parceiros sérios e que enxergam no mercado solar um excelente potencial de crescimento. Temos como meta de expansão estar presente em todos os estados da federação com, pelo menos, uma franquia em cada capital brasileira.

Desse dia em diante, como foi a evolução da Blue Sol no mercado?

  • A evolução é constante. Vemos que com a entrada no franchising aprimoramos todas as áreas da nossa companhia. Aperfeiçoamos nossos processos, melhoramos nossa comunicação, incrementamos nossos serviços, implantamos novas tecnologia para administrar o negócio de forma ainda mais assertiva, ampliamos os canais de contato com clientes, etc. Já chegamos a 37 franquias, entre abertas e contratadas, presentes em 14 estados do País, operamos em todo o território nacional, contabilizamos mais de 18 mil profissionais capacitados e mais de 3 mil sistemas fotovoltaicos conectados e comercializados. A meta é fechar 2021 com um total de 120 franquias. Também acabamos de lançar dois modelos de negócios: um com operação home based e investimento total de R$32 mil, e outro com conceito store in store, com investimento total de R$68 mil. Um aspecto importante é que a energia solar vem sendo apontada por especialistas como um dos mercados que vai ajudar a alavancar a economia e a geração de empregos no pós-Covid-19.

Este é um ano atípico por conta da Pandemia do Covid-19, de que forma isso impactou no negócio da Blue Sol?

  • Assim como a maior parte dos negócios, a Blue Sol também foi impactada pela pandemia. Com o isolamento social, uma série de mudanças foram feitas na nossa forma de fazer negócios. Sem sombra de dúvidas, o aumento do investimento em tecnologias para home office, além de uma preparação maior para o trabalho remoto foram cruciais. Passamos a usar drones para realizar nossas avaliações de campo, em residências e em empresas, sem contato próximo com as pessoas, preservando a saúde e segurança de todos os envolvidos. Criamos, rapidamente, um protocolo para adotar as melhores práticas de higiene e limpeza na empresa, tanto para atender as nossas equipes diretas, quando para os instaladores, que estão sempre em campo. A pandemia nos obrigou a mergulhar profundamente em todos os nossos processos e tenho certeza que deixará um saldo de melhorias muito significativo.

Quais são seus planos daqui para frente?

  • Queremos voltar a crescer, recuperar os números anteriores à crise, ganhar escala e melhorar nosso atendimento e qualidade sempre. Já observamos uma recuperação importante nos últimos dias. O consumidor definitivamente quer gerar sua própria energia através de fontes renováveis e nossa tecnologia é a melhor solução. Além disso, a nossa empresa está se digitalizando e se preparando para isto muito rapidamente. Tudo só terá valor e futuro se entendermos que o mundo não vai se comportar da mesma forma. Será mais complexo, mais exigente, mais duro nos relacionamentos mas não terá tanta pressa.

Qual o conselho para os pequenos empresários nesse momento?  

  • Vivemos em um momento extremamente desafiador, porém com prazo para acabar. Pode ser um pouco mais longo, porém utilizem isto para fazer uma reforma profunda na sua empresa. Você verá o quanto pode melhorar e sair mais produtivo, simples e rentável, sempre com mais qualidade. Empreender é duro, porém valioso. Você gera esperança e oportunidades o tempo todo e carrega isto com você para sempre. Nós, empreendedores, somos como máquinas de gerar ideias e sonhos, que sempre envolvem um número de seguidores e, por isto, dedicamo-nos e acreditamos tanto.

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