Empresas precisam ficar de olho na saúde mental de seus colaboradores

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Pandemia deixou muito evidente para todos que se o colaborador não estiver se sentindo bem emocionalmente, perde produtividade e, no limite, não consegue trabalhar
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Claro que são tempos difíceis para todos. De um lado empresários e empreendedores calculando diariamente a sustentabilidade financeira de suas empresas em meio à crise. Do outro a força de trabalho, ralando incansavelmente para manter seus empregos, em um processo de adaptação com uma nova rotina.

Mas no meio disso tudo, os gestores devem se preocupar com o stress, o medo e ansiedade gerados pela pandemia e quarentena. O medo de se contaminar, insegurança do desemprego, queda na renda, enfim, todos esses problemas afetam, e muito, o colaborador. Para aqueles ainda que estão em trabalho no sistema home office soma-se a questão de ficar isolado, sem contato com a equipe por este longo período e a questão física sem poder se exercitar ou mesmo espairecer.

A pandemia deixou muito evidente para todos que se o colaborador não estiver se sentindo bem emocionalmente, ele perde produtividade e, no limite, não consegue trabalhar.

A CEO e fundadora da Sputnik, Mariana Achutti, diz que muitos estudos comprovam essa realidade de que a saúde emocional da nossa população está sendo drasticamente afetada. Só no Brasil, o uso de antidepressivos e ansiolíticos aumentaram em 20% nos últimos 3 meses. “Certamente, isso tem um impacto gigantesco para as empresas que a médio prazo verão seus colaboradores adoecendo”.

Mariana Achutti, CEO e fundadora da Sputnik.

Por essa razão, a CEO da Hisnëk, Carolina Dassiê acredita que é preciso que haja muita empatia, entendimento e escuta ativa neste momento por parte das empresas. “Havendo estes aspectos dentro da cultura empresarial, pouco a pouco o ambiente se tornará mais propenso para os colaboradores pedirem ajuda emocional. E isso vai reduzir o tabu sobre a saúde mental, um ganho para o colaborador e para a própria empresa, porque torna-se possível a prevenção relacionada a patologias mensais”, acredita. 

Muitos estão vendo ainda suas carreiras e produtividade sendo abaladas, então é muito importante as empresas se atentarem de que os seus funcionários estão passando por grandes dificuldades emocionais como um todo. “Para os gestores e a organização, é preciso que tenham mais paciência, mais alinhamento e empatia na forma de lidar com os colaboradores. Não é só ficar em cima com cobranças e metas, mas, sim, conseguir entender o todo do momento atual”, considera Mariana.

Portanto, oferecer um respaldo efetivo relacionado a saúde mental e bem-estar é fundamental. Na opinião de Carolina, é impreterível que o colaborador se sinta bem emocionalmente para que ele seja produtivo.

Carolina Dassiê, CEO da Hisnëk.

Produtividade em xeque

Agora, não é hora de trabalhar com planejamentos e projetos que visam longo prazo. Uma das formas de ter times mais produtivos é a de que eles tenham metas claras e objetivas e de curto prazo. Ou seja, Mariana diz que, nesse momento, ter alinhamento e metas quase que diárias, faz com que as pessoas consigam acordar e dormir sabendo o que elas fizeram e o que entregaram. Assim, uma das formas de manter a produtividade é trabalhar dia após dia. 

Consequentemente, é preciso ter uma organização melhor para estas coisas, o que é desenvolvido através de muitas ferramentas que podem ajudar nesta produtividade. “Ferramentas de metodologias ágeis, como Kanban ou de plataformas como o Trello são fundamentais neste processo”, recomenda a fundadora da Sputnik.

Para as micro e pequenas empresas é um custo elevado ter que investir em ferramentas para cuidar dos seus colaboradores nesse momento. Entretanto, algumas ações não requerem investimentos e podem ajudar bastante, como, por exemplo, criar uma rotina de reuniões para compreender como as pessoas estão enfrentando a quarentena e apoio para equipe. “Momentos de descompressão também podem ser feitos como, por exemplo, um bate-papo, uma atividade de entretenimento com os membros da equipe, enfim, algo que aproxime as pessoas mesmo estando em home office”, aconselha o sócio-diretor e consultor da Prosphera Educação Corporativa – consultoria multidisciplinar especializada em gestão de negócios –, Haroldo Eiji Matsumoto.

Haroldo Eiji Matsumoto, sócio-diretor e consultor da Prosphera Educação Corporativa.

Carolina Dassiê alerta que há um risco muito grande das empresas perderem seus colaboradores especialmente para essas patologias mentais nesse momento. “Infelizmente ainda não chegamos ao pior momento da pandemia no que tange a saúde mental dos colaboradores. Por isso torna-se essencial oferecer todo o respaldo para os colaboradores”. 

A recomendação do consultor da Prosphera ainda é ser o mais transparente possível com os colaboradores, pois neste momento a confiança é que irá manter o relacionamento e fortalecer todos para enfrentar essa crise. “Faça um plano de como pretende sobrepor esse período e explique para a equipe. Além disso, é importante ir medindo os resultados da empresa semanalmente e observando se o previsto é o realizado ou se precisará fazer ajustes, tanto de corte de despesa ou investimento, caso a situação melhore”, reforça Matsumoto.

Invista em educação

Um estudo alemão publicado recentemente no International Journal of Human Resource Management, descobriu que a capacitação gera um senso de lealdade com lideranças e times e também uma maior retenção de talentos junto à empresa. Ou seja, manter o treinamento do time em tempos de crise é necessário e importante. Pois desta forma os integrantes do time se apoiam entre si e a força do coletivo age muito a favor do cuidado emocional para que as pessoas não se sintam sozinhas nessa situação de crise, acredita a CEO da Hisnëk.

A CEO da Sputnik, diz ainda que ao longo desses últimos meses, foi preciso desenvolver novas habilidades e investir na jornada de aprendizagem de educação e capacitação das pessoas, pois é um retorno que volta muito rápido, até mesmo para as pequenas empresas. “Investir em webinar ou curso que fale sobre Ferramentas de Produtividade e Mindset de uma Nova Liderança, são assuntos que, de fato, se tornaram emergentes, urgentes e latentes nos dias de hoje. Por isso, às vezes, priorizar a educação corporativa pode ser um retorno muito rápido para a empresa, visando que seus colaboradores estão se desenvolvendo e entregarão mais, de uma forma melhor”.

Inclusive, há webinar de autoconhecimento e saúde mental. “Em um primeiro momento, pode parecer caro, mas a longo prazo será um investimento que se pague, considerando que está olhando para os profissionais de uma forma que vá gerar transformação”, aconselha Mariana.

Ela diz ainda que não estamos falando só de emprego, mas de saúde mental, de transtornos psiquiátricos que podem vir a acontecer a médio prazo, então é a hora de olhar para as pessoas e, com isso, as empresas que têm condições de trabalhar essa inteligência emocional com seus colaboradores, com certeza, vão ser organizações que serão mais reconhecidas. “Inclusive, têm muitos estudos que mostram que processos de educação e de cuidado mostram um nível de lealdade e turn over mais baixo. Por isso, as empresas que podem, agora é a hora mais importante de se fazer isso”.

Não podemos, no momento aonde os profissionais mais estejam precisando, viver um grande apagão corporativo. “A boa notícia é que as iniciativas de formação, no formato 100% online, estão com valores mais acessíveis para empresas de menor porte e que estejam passando por dificuldades financeiras. Tenho muita convicção que essas iniciativas geram um ótimo retorno sobre o investimento”, confia Mariana.

Por fim, vale conversar com os gestores de cada área para que tenham consciência de que o momento que estamos passando é completamente diferente de uma crise econômica “convencional”. Essa crise, em especial, fragiliza os colaboradores que têm a empresa como fonte para manter seu sustento e de sua família. “Por isso, a forma como o gestor lida com sua equipe é importante. Respeitar, apoiar e orientar os colaboradores nesta situação de crise e medo é primordial. O gestor se torna o porto seguro de muitas pessoas e, por isso, deve estar preparado para assumir essa responsabilidade”, conclui Haroldo Eiji Matsumoto da Prosphera.

Foto de capa: Andrea Piacquadio no Pexels

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