Elas no Comando: Cláudia Einhorn e os desafios como gerente de Inovação da Ambev

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 ELAS NO COMANDO  | Por Beatriz Bevilaqua


Inovação não se faz sozinho e muito menos dentro de casa. É preciso força para impulsionar as iniciativas e muita diversidade nos times para criar algo realmente inovador


A entrevistada dessa semana é a Cláudia Einhorn,  que está a frente do Ecossistema de Inovação em Tecnologia da Ambev – uma das maiores e mais respeitadas empresas de bebidas do mundo.  Nessa reportagem exclusiva para o Gene PME, ela nos conta como a Ambev está se reestruturando para diminuir o gap de gênero em todas as áreas, especialmente em tecnologia. 

Claudia Einhorn entrou na Ambev 2018 na área de Vendas, passou pelo programa de Trainee Global e atualmente é responsável por programas de inovação aberta, como a Aceleradora 100+ de Sustentabilidade. Além disso, também faz parte da liderança do WEISS, grupo interno de empoderamento feminino da companhia. Confira a nossa conversa sobre inovação, mercado de trabalho feminino e inclusão.

Você entrou em 2018 e em pouco tempo assumiu uma área concorrida como gerente de Ecossistema de Inovação em Tecnologia. Como foi essa evolução dentro da empresa?  

Eu sempre fui uma pessoa muito curiosa e questionadora. Com pouco tempo de casa fui impactada pela real dimensão da Ambev e das mil possibilidades de carreira que uma pessoa pode trilhar aqui dentro e passei a reconsiderar o que queria para a minha. 

Em 2019, depois do meu período trabalhando em Vendas numa frente de serviço ao cliente, fui aprovada no Trainee Global da companhia. Durante o programa tivemos a oportunidade de vivenciar o dia a dia da operação de vendas, da cervejaria e conhecer mais de perto as estratégias das unidades de negócio. Nesse processo fui percebendo o quanto que a tecnologia seria o centro do nosso negócio, pois por meio dela conseguimos gerar um impacto positivo exponencial na vida dos nossos colaboradores, clientes e consumidores.  


Como você foi se preparando para os desafios de uma área completamente nova?  

Como eu não tinha nenhum background em tech, busquei me capacitar por meio de diversos cursos, livros, palestras e quanto mais eu aprendia, mais me encantava pelas possibilidades que a tecnologia promove e as portas que ela abre. 

Ao final do programa de Trainee ingressei no time de inovação em tecnologia, assumindo desde cedo diversos programas de conexão com o ecossistema, como a nossa Aceleradora 100+ de Sustentabilidade. Eu me apaixonei pela área, pelo nosso impacto e pelo ecossistema que tem sede de soluções inovadoras e é incansável na busca de resolver as dores dos clientes e consumidores. 


Como a empresa tenta diminuir o gap de gênero na área de tecnologia? Como funciona o WEISS, grupo interno de empoderamento feminino da companhia? Foi sua idealização? 

Aqui na Ambev sabemos que ainda temos um longo caminho para percorrer, mas estamos trabalhando diariamente para reduzir o gap de gênero em todas as áreas, com um olhar cuidadoso para a tecnologia. Uma das formas que encontramos para atuar nessa frente foi por meio da criação de uma edição feminina do nosso programa de formação de talentos: o Padawan She Force. O programa contratou mulheres que não precisavam ter um background de tecnologia e, durante 3 meses, ofereceu mais de 200 horas de treinamentos customizáveis de acordo com as necessidades da aluna (como linguagem de programação e introdução à metodologia ágil) e, ao longo dos encontros, as participantes apresentavam e discutiam ideias, melhores práticas e como impulsionar a carreira de mais mulheres.

Acreditamos que a tecnologia está se tornando mais atrativa para as mulheres e está abrindo espaço para todo mundo. Não posso abrir muitos detalhes, mas no nosso programa de Trainee Tech deste ano, por exemplo, vimos um aumento significativo no interesse de candidatas mulheres e no seu desempenho geral no processo. Isso reforça um fato que todos nós já sabemos: tem gente boa de todo tipo e em todo o lugar!

“O ecossistema brasileiro de inovação e empreendedorismo é muito colaborativo – aproveite isso e se jogue para conhecer novos modelos e estar sempre aberta a novas propostas de cocriação.”

O WEISS (sigla que em inglês significa Women Empowered Interested in Successfull Synergies) é o nosso grupo interno autenticidade que aborda e discute temas de equidade de gênero. O grupo foi criado por funcionárias da Ambev em 2016, tendo como objetivo comum promover o empoderamento feminino dentro da companhia, bem como tornar a Ambev mais inclusiva, acolhedora e diversa. O WEISS é responsável por abordar o tema da equidade de gênero visando a conscientizar e formar a nossa gente sobre como agir e combater vieses, bem como identificar os principais problemas internos relacionados ao tema e executar um plano de ação junto com o time de Gente e Gestão. 

Além do WEISS, temos outros 3 grupos de autenticidade, todos inspirados em tipos de cerveja. O LAGER (Lesbians, Gays and Everyone Respected), é o grupo responsável por garantir um ambiente de trabalho no qual a comunidade LGBTIA+ se sinta livre pra ser quem é. O BOCK (Building Opportunities for Colleagues of all Kinds) promove a discussão de questões étnico-raciais. O mais recente é o IPA (Improve People Accessibility), focado para a inclusão e ações práticas de pessoas com deficiência.


Qual foi a maior superação de carreira na sua vida?

Ser aprovada no programa de Trainee Global da Ambev foi com certeza uma das experiências mais desafiadoras da minha trajetória profissional.

O processo como um todo foi desafiador não apenas pelas dinâmicas, mas porque eu me comparava com os demais candidatos, que tinham mais experiência que eu em ambientes corporativos e tinham feito faculdades de administração, economia e engenharia, por exemplo. Eu não tinha nada disso e achava que seria praticamente impossível uma advogada (que não queria trabalhar no jurídico) ser aprovada para um programa que visa a formação de lideranças com potencial para trabalhar em qualquer área da companhia. 

Apesar disso, ser Trainee Global da Ambev era um sonho meu e, para conquistá-lo, me dediquei inteiramente ao programa, estudando muito sobre a história da companhia, seus resultados e a visão de futuro. Teve uma pitada de cara de pau também: eu mandava mensagem pra diversas pessoas da Diretoria da companhia pra “tomar um café”. Nesses bate-papos, conseguia extrair uma perspectiva da estratégia da empresa e como funcionava aquela determinada área de negócio. Acredito que essa foi uma das melhores coisas que fiz, pois pude interagir com diferentes pontos de vista sobre o futuro da companhia e conhecer lideranças com as quais me conecto até hoje.  


Quem são seus “mentores” em toda essa jornada?  

Durante minha trajetória profissional, tive o privilégio de contar com excelentes mentores e mentoras, especialmente na Ambev. Se eu puder ressaltar um deles, seria meu atual chefe e sempre mentor, Bruno Stefani. O Bruno é aquele líder que está genuinamente interessado do meu desenvolvimento profissional e pessoal também, sempre buscando abrir portas, elevar o nível de conhecimento e ajudar a trilhar o melhor caminho. O Bruno é a pessoa que não apenas me apresentou a boa parte do que sei hoje sobre tecnologia e o ecossistema, mas também o responsável por me ensinar a ser uma melhor líder para meu time. Sou muito grata à liderança dele, a toda confiança que ele tem em mim e especialmente a tudo que ele me ensinou e continua ensinando como chefe e sobretudo, como mentor.


Qual o impacto da pandemia para a Ambev? Quais os planos dentro da sua área para 2021?

A pandemia pegou todos de surpresa e todo o mundo precisou se adaptar e teve um impacto bem grande no mercado cervejeiro. Nosso produto está ligado a momentos de celebração e união das pessoas. A maior parte da nossa força de trabalho vem de fornecedores locais, então quando não temos eventos e há o fechamento de bares e restaurantes, por exemplo, sentimos esse impacto. Agora, estamos vendo o mercado reaquecer, mas ainda há desafios porque o mundo não é mais o mesmo, precisamos continuar nos reinventando e priorizar a saúde das pessoas – nossos funcionários, fornecedores e consumidores. Daqui para frente e em 2021, nosso foco agora é ajudar a resolver os problemas dos nossos clientes e consumidores. Estamos em uma jornada para construir a Ambev do futuro e além dos rótulos: uma Companhia mais ágil e criativa, preparada para cuidar e crescer junto com o seu ecossistema.

Durante a pandemia observamos um crescimento acelerado da tecnologia e vamos continuar trabalhando ao lado do ecossistema, abrindo a porta para colaborações, parcerias e muita troca. Inovação não se faz sozinho e muito menos dentro de casa, é preciso ter humildade para reconhecer que não sabemos tudo, força para impulsionar as iniciativas e muita diversidade nos times para criar algo realmente inovador.


Que dica você daria para quem deseja ocupar um cargo como o seu numa grande empresa como a Ambev? 

Em primeiro lugar eu estudaria bastante sobre a cultura, os princípios e o propósito da empresa para garantir que você se identifica e compartilha da visão de longo prazo. Com relação a uma posição de gestão de ecossistema digital, o quanto antes começar a se envolver, melhor. O mercado de tech é muito dinâmico e estamos sempre desatualizados. 

Não tem como, todo dia tem uma startup nova em algum lugar do mundo resolvendo uma dor do seu cliente que você nem imaginou que existia. Para isso, é necessário estar sempre atenta, buscando entender melhor o mercado de tecnologia, os diferentes players e o papel que desempenham. Eu aproveitaria a enxurrada de conteúdos digitais que foram gerados durante esse período de isolamento social para aprender mais, conhecer pessoas novas e testar novos formatos de aprendizagem. O ecossistema brasileiro de inovação e empreendedorismo é muito aberto e colaborativo – aproveite isso e se jogue para conhecer novos modelos e estar sempre aberta a novas propostas de cocriação. 

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