Educação 4.0 e o que esperar do futuro pós-crise

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Por Wellington Machado

Na Idade Moderna e Contemporânea, as revoluções industriais não mudaram apenas as relações de trabalho e de consumo, mas também a forma de se transmitir conhecimento. Fazendo um paralelo com a evolução da sociedade, a educação também seguiu essas mudanças. 

Na primeira Revolução industrial as máquinas eram movidas a vapor e todo o sistema era focado no processo produtivo. Neste período a Educação 1.0 era em uma única via: professor para o aluno, de forma ditada e o aprendizado era baseado na memorização. Já na segunda Revolução Industrial o uso da eletricidade permitiu a produção massiva dos produtos, essa mentalidade progressista resultou na Educação 2.0. Agora o sistema de aprendizado passa também do estudante para estudante, iniciando a mentalidade de uma educação seriada e do modelo mais praticado ainda hoje.

Na década de 70 iniciamos a terceira Revolução Industrial, onde as fábricas passaram pelo processo de digitalização e as linhas de produção tornaram-se automatizadas com a utilização de robôs de manufatura. Este período é conhecido como Educação 3.0, com a redução de custos de hardware e softwares e a popularização da internet, o conhecimento passa ser criado e modificado por todos e em todos os lugares. Surge o conceito de co-construção, em que os alunos se ajudam e expandem seus conhecimentos. Essa colaboração, entre os alunos, ajuda a crescer diversas áreas de atuação, resolvendo os problemas juntos, estabelecendo relacionamentos com seus colegas e professores.

Agora, com o avanço tecnológico resultante da quarta Revolução Industrial nós estamos iniciando uma nova fase: a Educação 4.0. 

Mas afinal, o que é a Educação 4.0?

É uma abordagem desejada para o aprendizado que se alinha à quarta revolução industrial ou Indústria 4.0. Essa nova fase está sendo impulsionada por um conjunto de tecnologias disruptivas como robótica, inteligência artificial, realidade virtual e aumentada, big data, nanotecnologia, impressão 3D, biologia sintética e a chamada internet das coisas ou IoT, onde cada vez mais dispositivos, equipamentos e objetos serão conectados uns aos outros por meio da internet. 

Para que possamos ter não somente profissionais de sucesso, mas pessoas preparadas para as mudanças do seu cotidiano, fruto deste avanço, todo o sistema educacional deverá preparar seus alunos para um mundo em que esses sistemas ciber-físicos serão predominantes em todos os setores. 

Isso significa ensinar os alunos sobre essa tecnologia como parte do currículo, mudar completamente a abordagem do aprendizado e utilizar essa tecnologia para melhorar a experiência do aprendizado.  

O que esperar do futuro?

Sistemas ciber-físicos serão cada vez mais integrados em várias indústrias, inevitavelmente afetarão toda a forma como produzimos, consumimos e aprendemos.  

Uma pesquisa da McKinsey Digital revelou que, devido à quarta Revolução Industrial, 60% de todas as ocupações poderão ter pelo menos um terço de suas atividades automatizadas. Outro dado, apontado pelo Fórum Econômico Mundial, informa que 65% das profissões do futuro não existem hoje, sendo assim o profissional do futuro precisará mais do que ser treinado para atividades repetitivas. É necessário que as escolas preparem os seus estudantes para a construção de pensamentos criativos e inovadores. 

Em 2016, o Fórum Econômico Mundial  produziu um relatório explorando que a quarta Revolução Industrial também terá impacto sobre as soft skills. Eles previram que até 2020 “mais de um terço do conjunto de habilidades básicas desejadas da maioria das ocupações será composto por habilidades que ainda não são consideradas cruciais para o trabalho hoje”.

Entre essas Habilidades do século XXI, estão: colaboração, consciência ambiental, persistência, resiliência, pensamento crítico, iniciativa, coragem, empatia, trabalho em equipe, onde eles afirmam que todas estas habilidades se tornarão indispensáveis e incluem também a resolução de problemas complexos, como o grande diferencial. A Educação 4.0 tem como missão guiar as instituições de ensino para a educação do futuro, com a implementação de tecnologias e metodologias para uma educação inovadora, a qual o aluno passa ser o protagonista do seu aprendizado.

Nova abordagem para aprender

O principal objetivo desta nova abordagem de ensino é incentivar os alunos para que aprendam de forma autônoma e participativa, a partir de problemas e situações reais. A proposta é que o estudante esteja no centro do processo de aprendizagem, participando ativamente e sendo responsável pela construção de conhecimento. Estas novas abordagens são conhecidas como Metodologias Ativas.

De acordo com a Teoria da Pirâmide de Aprendizado, do psiquiatra americano William Glasser, a memorização não é o melhor método de aprendizagem e que, por isso, não se deve trabalhar apenas com ela. Para William, os alunos devem aprender fazendo na prática (Learning by doing). Segue o exemplo de algumas metodologias ativas:

Sala Invertida (Flipped Classroom)

Essa metodologia de ensino propõe uma inversão no modelo de educação do qual estamos acostumados. A proposta é que os alunos estudem o conteúdo curricular em casa e, ao irem à escola, discutem o conteúdo com os professores e colegas. A sala invertida tem o objetivo de tornar as aulas mais dinâmicas, com alunos atuantes e com autonomia do próprio aprendizado. Sendo assim, o professor passa a ser uma figura de contribuição em discussões levantadas pelos estudantes. 

Ensino Híbrido (Blended Learning)

Outro modelo de educação personalizada é o B-Learning ou Ensino Híbrido. Essa abordagem mescla a aprendizagem online, que utiliza vários tipos de tecnologia, com a offline, usando como ferramenta as relações interpessoais. Esse ensino transforma celulares, computadores e tablets em dispositivos educacionais, inserindo o jovem num ambiente que ele já conhece: o virtual. A autonomia do estudante também é estimulada, já que é possível criar a própria rotina de estudos e o ritmo de aprendizado. 

PBL – Project based learning 

Em tradução livre, Project basead learning significa aprendizagem baseada em projetos, e tem como pilar a realização de projetos para o aprendizado. Nessa metodologia ativa, os alunos são conectados com realidades além da sala de aula, relacionando o conteúdo com o cotidiano e a resolução de problemas. O PBL utiliza em grande parte o STEM (Science, Technology, Enggineering and Mathematics) que é a interligação dessas quatro matérias, usando a aprendizagem interdisciplinar na prática. 

Gamificação

Os jogos eletrônicos têm um grande poder de atração de crianças e jovens. Entretanto, os games podem ser usados como instrumentos de educação. A gamificação da educação consiste em transformar os conteúdos educacionais e os planos de aula em jogos educacionais para que os alunos possam se interessar e absorver a matéria de modo divertido. 

Storytelling

O Storytelling na educação tem a função de estruturar a história e os conteúdos educacionais em uma trilha interessante para prender a atenção dos alunos. 

A ideia é transformar o conteúdo em uma contação de histórias, melhorando o desenvolvimento cognitivo das crianças. 

Design Thinking

O Design Thinking aplicado na educação sugere que o educador deve aplicar a metodologia centrada nas necessidades de aprendizado do aluno. A metodologia é dividida em três pilares: imersão, ideação e prototipação. Esse processo tem como objetivo criar um processo de empatia entre aluno e o conteúdo para que o interesse gere o aprendizado.

Como preparar a escola para a Educação 4.0?

O primeiro passo é que a instituição de ensino deixe para trás o pensamento de que é um ambiente de replicação de conteúdo. O espaço deve se tornar um centro de compartilhamento de informação e desenvolvimento de competências individuais. 

Como vimos anteriormente, a quarta Revolução Industrial mudará drasticamente a maneira como nos relacionamos, vivemos, trabalhamos e educamos nossos filhos. Para que eles estejam preparados para se envolver em um mundo ao lado de máquinas inteligentes, precisarão ser educados de maneira diferente do que no passado. Desta forma, as escolas deverão se preparar de acordo com os tópicos, citados na Forbes pelo Futurista Bernard Marr.

  1. Redefinir o objetivo da Educação

Ao longo do tempo, o objetivo da educação evoluiu com base nas necessidades da sociedade durante esse período. Não é diferente durante essa transição. Atualmente, a educação serve para preparar as pessoas para assumir as tarefas de um trabalho ou disciplina para “fazer” alguma coisa. À medida que avançamos para o futuro, a educação precisará apoiar as crianças a desenvolver o conjunto de habilidades e a mentalidade para fazer qualquer coisa no futuro, em vez de um “algo” específico.

  1. Implementar STEM Education

A educação STEM (ciência, tecnologia, engenharia, matemática) precisa ser implementada, pois não há dúvida de que todos os trabalhadores no futuro precisarão de algumas habilidades técnicas e competências resultado da metodologia STEM. De fato, de acordo com o The Future of Jobs Report 2018 do World Economic Forum, as organizações irão necessitar de colaboradores com habilidades de pensamento crítico e colaboração ainda mais do que aqueles com habilidades de tecnologia.

  1. Desenvolvimento do Potencial Humano

O sistema educacional do futuro precisa desenvolver as habilidades inerentes aos seres humanos, como empreender,criatividade imaginação, pensamento crítico, interação social e colaboração, para que sejam preparadas para trabalhar em parceria com as máquinas no futuro, em vez de competir com elas.

  1. Entender o Lifelong Learning

Em seu livro, Future Shock , Alvin Toffler escreveu: “Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não podem aprender, desaprender e reaprender”. A educação estruturada não pode mais terminar após saímos da escola ou da faculdade ela deve se tornar um esforço ao longo da vida, e as fontes de educação precisam evoluir para oferecer essas oportunidades. 

  1. Professor: A Profissão de todas as Profissões 

O filósofo americano John Dewey disse: “Se ensinamos os alunos de hoje como ensinamos os de ontem, os privamos de amanhã”. Embora tenha vivido bem antes do início da 4ª Revolução Industrial, suas palavras são muito apropriadas até hoje. Ao invés dos professores destilarem informações para que os alunos memorizem, os professores se tornarão guias e facilitadores para ajudar os alunos no seu próprio aprendizado e nas linhas de investigação. O fracasso precisa ser adotado como um passo essencial para a aprendizagem. Desta forma, a capacitação dos Educadores sobre novas metodologias e tecnologias são essenciais para a transformação da educação. 

  1. Escolabs

Para permitir que os alunos pratiquem suas habilidades para resolver problemas as escolas precisam fornecer ambientes de aprendizado que permitam aos alunos serem criadores usando uma ampla variedade de ferramentas físicas e digitais. Isso pode ajudar a equipar as crianças com o amor pelo aprendizado, que lhes permitirá entender o mundo por meio das experiências práticas que enfatizam a colaboração e a criatividade.

Wellington Machado é empreendedor no segmento de software educacional e gestão de pessoas, fundador e CEO da Quantum, edtech focada em desenvolver o potencial humano ao preparar crianças e adolescentes as profissões do futuro. 

Com informações de Ivan Netto, Pineapple Hub.

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