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Franquia ou Licenciamento - Qual o melhor formato?

Franquia ou licenciamento, descubra qual o formato mais indicado para o seu perfil de empreendedor

Há quem diga que os modelos de negócios de franquia ou licenciamento são completamente diferentes. Outros, porém, já dizem serem formatos de negócio muito semelhantes. O fato é que a decisão de abrir um negócio já não é fácil, e se você está na dúvida entre um e outro, a questão fica mais difícil ainda.

Se você busca um modelo já testado e aprovado, a resposta é simples: seja franqueado de alguma marca. O contrato de franquia prevê obrigações de transferência de know-how e tecnologia passadas por meio de treinamentos de capacitação, auxílio na busca do ponto comercial, indicação de fornecedores para a implantação do negócio, consultoria de campo, além de a rede se beneficiar do marketing institucional mantido pelo fundo de publicidade.

A especialista na área de franquias, Léia Regina Nascimento, explica que o franqueador é remunerado pela taxa inicial de franquia e pelos royalties cobrados mensalmente. “Para quem não tem muita experiência, busca um negócio formatado e não tem problemas em seguir regras, o franchising é o melhor modelo”, afirma.

Para ser um franqueado com mais chances de acertos, é preciso ter um perfil que saiba aplicar e gerenciar processos pré-definidos, que seja flexível e um ótimo negociador. “Costumo dizer que o franqueado deve saber aceitar e, principalmente, acatar decisões de pessoas não pertencentes diretamente ao seu negócio. Aceite, vão pôr a mão na sua massa”, comenta o consultor e especialista em treinamentos comerciais e corporativos, Marselo Pires.

Bom atrativo

Por outro lado, o licenciamento se destaca, justamente, por uma característica oposta: a flexibilidade. O contrato possui cláusulas mais flexíveis tanto para o licenciador quanto para o licenciado e prevê basicamente a cessão de uso da marca e, muitas vezes, a obrigatoriedade de compra dos produtos fabricados pelo licenciador.

Aquela obrigação de treinamentos, consultorias de campo e outras assistências comuns no sistema de franquias já não faz parte do licenciamento.

Léia Regina Nascimento esclarece que o licenciado é livre nas decisões de gestão e estratégias locais. O problema é que para quem não possui experiência com negócios, essa liberdade de gestão pode levar o negócio ao fracasso justamente pela falta de apoio. “O licenciamento é um sistema que funciona para quem já possui experiência em negócios e quer apenas uma marca forte e produtos testados para trabalhar”, complementa a especialista.

A taxa inicial de franquia, royalties e fundo de publicidade em geral não são cobrados nesse sistema, pois o licenciador é remunerado pela venda dos produtos ao licenciado.

O sucesso do modelo de licenciamento está vinculado à finalidade do negócio. Léia diz que se não há necessidade de transferência de tecnologia, esse modelo pode dar tão certo quanto o sistema de franquia. “O empreendedor deve ficar atento e fazer uma análise criteriosa do seu perfil para esse modelo de licenciamento e das necessidades de assistência que o negócio escolhido requer em curto, médio e longo prazo”, orienta.

Mudança de planos

A rede de lojas de óculos NYS Collection já utilizou o licenciamento como forma de expansão, chegando a ter mais de 1.500 pontos de venda. Só que os planos mudaram. Há pouco mais de cinco anos, a marca norte-americana iniciou o processo de conversão dos licenciados em franqueados. A empresa entendeu que o sistema de franquias se encaixaria melhor na estratégia de negócio. “É melhor para o empreendedor e para a marca. No sistema de franquias, existe o compartilhamento do know-how de gestão, fornecedores cadastrados, um projeto arquitetônico definido, além de contar com treinamento e supervisão”, destaca a diretora da NYS Collection no Brasil, Cristiane Capella.

A diretora diz que eles oferecem toda a assessoria ao candidato, para que ele possa avaliar o grau de identificação e sinergia com a missão, visão e valores da marca, bem como quanto às competências pessoais e profissionais esperadas. Além disso, assim como outras marcas, também oferecem treinamento, apoio jurídico e de marketing.

Na indústria

O modelo de licenciamento adotado pela marca de moda masculina Cobra D’Água, desde a década de 1990, é focado em parceiros que queiram produzir peças de roupa e acessórios. A empresa entra com a marca, que tem expressão no cenário nacional, enquanto a indústria licenciada usa o conhecimento que adquiriu ao longo do tempo.

Dessa forma, não há rede de lojas físicas, mas sim, um grupo de licenciados que vende as peças produzidas para lojas espalhadas em mais de duas mil cidades brasileiras. São mais de 12 mil pontos de venda que comercializam as roupas com a etiqueta Cobra D’Água. Por conta deste modelo, a empresa não abre valores das negociações, apenas diz que o investimento varia dependendo do tipo de produto licenciado. Royalties mensais são pagos para a detentora da marca, baseado no faturamento mensal com a venda de produtos da linha.

O presidente da Cobra D’Água, Lucas Izoton, comenta que a escolha dos licenciados leva em conta, entre outras características, a capacidade de fabricação de acordo com os padrões, especificações e instruções aprovadas pela marca. “Essa empresa licenciada deverá ter uma equipe própria de vendas, o que permitirá entrar em pontos de vendas, de acordo com o segmento, e também nos nossos atuais clientes”, conclui.


Vantagens e desvantagens dos dois modelos

Licenciamento

Prós:

Sentimento de “liberdade” por parte do licenciado, que não é obrigado a “se enquadrar no rígido sistema de franquias”, por poder ter liberdade na sua forma de atuar (determina ações de comunicação, por exemplo) e ter outros produtos e serviços em seu negócio, desde que não conflitem com a licenciada.

Investimento menor. Normalmente, não existe a cobrança de taxa de adesão, logo o licenciamento é opção rápida e barata para quem quer empreender tendo o nome de uma grande empresa vinculado ao empreendimento.

Autonomia/independência na administração do seu negócio sem contínuas auditorias.

Contrato com menos duração e obrigações entre as partes, mas lembrando que existem!

Contras

Não tem os parâmetros de gestão, como: manuais de operação, formatação de negócios e demais referências mercadológicas pertinentes. Por isso, corre-se o risco de expor a marca, produtos e serviços negativamente ao mercado (consumidores e clientes).

Licenciado “navega comercialmente” praticamente sozinho, portanto precisa ter um excelente sistema próprio de gestão, como: identificar e localizar fornecedores, determinar e estipular sua atuação no mercado (sem perder referência da marca) e, principalmente, o controle de todos os custos e investimentos.

O sistema de licenciamento pode não estar enquadrado 100% no sistema exigente de franchising, contudo, essa mudança de nomenclatura de atuação não exime o licenciado de ter obrigações legais em uma configuração aproximada de um franqueado. Cuidado! A não observação e cumprimento dos termos de contrato podem trazer problemas jurídicos ao empreendedor licenciado.

Franquia

Prós:

Iniciantes investem capital com mais segurança para poder montar a empresa com toda orientação necessária, sem correr riscos da inexperiência como empreendedor.

O futuro franqueado, com o tempo, vai adquirir o conhecimento da gestão do negócio que escolheu para o “modelo” que já foi avaliado e comprovado na prática sabendo os caminhos operacionais devidamente trilhados.

Começa atuar no mercado com marcas, produtos e serviços já conhecidos no mercado. Tem tudo formatado, como as ações de marketing.

Conta com acompanhamento e orientações constantes de especialistas

do franqueador.

Contras:

Fica “engessado” quanto às condições e determinações da marca. Não pode tomar decisões como se fosse independente. Se estas não estiverem de acordo e devidamente aprovadas pelo franqueador, são proibidas de serem empregadas.

Dilema… O franqueado é e ao mesmo tempo não é dono do negócio e do capital que investiu, já que é alvo constante de determinações contratuais e auditorias.

Quaisquer tipos de não conformidades detectadas que infrinjam as cláusulas do acordo assinado são passíveis de atuações jurídicas.


Franquia ou Licenciamento - Qual o melhor formato?

“Costumo dizer que o franqueado deve saber aceitar e, principalmente, acatar decisões de pessoas não pertencentes diretamente ao seu negócio. Aceite, vão pôr a mão na sua massa”

Marselo Pire, consultor e especialista em treinamentos comerciais e corporativos

Crédito: Arquivo pessoal


“O licenciamento é um sistema que funciona para quem já possui experiência em negócios e quer apenas uma marca forte e produtos testados para trabalhar”

Léia Regina Nascimento, especialista na área de franquias


Franquia ou Licenciamento - Qual o melhor formato?

“No sistema de franquias, existe o compartilhamento do know-how de gestão, fornecedores cadastrados, um projeto arquitetônico definido, além de contar com treinamento e supervisão”

Cristiane Capella, diretora da NYS Collection no Brasil

Crédito: Arquivo pessoal


Franquia ou Licenciamento - Qual o melhor formato?

“Essa empresa licenciada deverá ter uma equipe própria de vendas, o que permitirá entrar em pontos de vendas, de acordo com o segmento, e também nos nossos atuais clientes”

Lucas Izoton, presidente da Cobra D’Água

Crédito: Arquivo pessoal

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