Depois da Inteligência Artificial, área fiscal nunca mais será a mesma

Comentários (0) Boa ideia, Entrevista, Negócios

Pioneira na utilização desta solução na Área Fiscal, Busca Legal já foi premiada internacionalmente por criar uma ferramenta que revolucionou o mercado

Só quem trabalha na área tributária sabe o quanto sempre foi complexo e penoso saber qual é a tributação de um produto. Horas e horas gastas em uma tarefa que poderia ser melhor aproveitada em estratégias para o negócio. Então imagine se essa pessoa pudesse só abrir o seu computador ou smartphone e obter essa resposta de maneira simples, fácil e rápida? Isso não só já é possível como foi uma das maiores revoluções da área tributária no Brasil até hoje.

Quem oferece essa solução surpreendente para o mercado é a Busca Legal, um site criado por ex-sócios da Fiscosoft e sócios da Systax. Fundada em 2017, a ferramenta utiliza inteligência artificial para disponibilizar aos profissionais das áreas contábil, jurídica e tributária o acesso de forma simples e eficiente a bases legais e conteúdos, resolvendo suas dúvidas tributárias, diminuindo as rotinas para o cumprimento das obrigações fiscais e, o melhor: reduzindo custos.

O empreendedor visionário, e um dos sócios da empresa, Paschoal Naddeo, em entrevista exclusiva para o Portal GENE PME fala do pioneirismo da plataforma no País e da vanguarda tecnológica que a Busca Legal foi em soluções que interagem com o usuário para ajudá-lo nos mais diversos desafios da área tributária, além dos percalços dos empresários brasileiros na que chamamos hoje de jornada digital. Confira.
_

(divulgação/Busca Legal)

Quem é Paschoal Naddeo e que caminhos trilhou até criar a Busca Legal?

Paschoal Naddeo: A minha formação é na área de tecnologia, mas eu sempre tive um lado bastanteempreendedor. Em 1999 eu fui trabalhar em uma empresa de informações fiscais legais. Nessa época a Internet era algo muito recente, a maioria das pessoas ainda utilizavam a Internet discada. E era a época do CD, então a grande novidade no mercado de informações apostiladas, foi a nossa empresa ter criado informações da área tributária via CD e na sequência via Internet de uma maneira mais prática e diária. Ou seja, a Internet nos possibilitou uma transformação nesse mercado que até então só recebia informações em papel e em períodos quinzenais ou mensais. Eu fiquei nessa empresa durante 12 anos, e aí nós vendemos essa operação para uma multinacional. E, na sequência, fui contratado por essa multinacional para assumir a direção na área de informações fiscais e depois a área de Governo.

Em 2016 eu saí da empresa e me juntei com ex-sócios pois percebemos que ainda havia como melhorar mais o mercado para o profissional da área fiscal, mas que não podia ser só oferecer um serviço básico pela Internet. Tínhamos que trabalhar com algo diferente. E então chegamos à Busca Legal. 

O que foi esse algo diferente oferecido com a Busca Legal?

Esse algo diferente é uma plataforma para a área tributária utilizando a Inteligência Artificial. Por meio do Watson, que é uma tecnologia da IBM utilizada no mundo inteiro e que tem a capacidade de entender todas as formas de dados, utilizar informações repetitivas e interagir com as pessoas, desenvolvemos um projeto de Chatbot.  Que basicamente é uma conversa com um robô. O varejo brasileiro, por exemplo, começou a utilizar muito essa ferramenta, e até dar nomes para seus Chatbots de atendimento ao cliente. Por quê? Porque são atividades muito repetitivas. Imagina-se que cerca de 80% do que os clientes perguntam pelas plataformas são as mesmas coisas. Então você ensina o robô a dar as mesmas respostas.

Mas nós fomos além disso. Como a legislação tributária no Brasil é uma das mais complexas que existe no mundo, com estados e municípios legislando, a tributação de um açúcar por exemplo, varia muito saindo do Rio Grande do Sul para o Rio Grande do Norte, ou em São Paulo. Então criamos um robô para não só dar a informação que o cliente precisa, como também para mostrar essa diferença de tributação que talvez ele não soubesse.

E a comparação é que o meu Chatbot faz essa resposta em menos de um minuto, o que normalmente levaria pelo menos uma hora. Então essa foi a grande revolução na área fiscal, foi o primeiro Chatbot de tributação de produtos que a gente criou, que está hoje no mercado e tem uma base de usuários bastante significativa.

Com essa ferramenta, inclusive, vocês foram até campeões do IBM Watson Build Award Latin American Champion que aconteceu em 2017, não é mesmo?

Sim. Por utilizar a solução Watson, nós fomos convidados pela IBM para sermos um dos parceiros deles aqui na América Latina. E em 2017, eles promoveram este evento no mundo inteiro para que seus parceiros apresentassem projetos de Inteligência Artificial e, o Busca Legal Tax Classifier, com uma solução para a área fiscal, foi o campeão na América Latina.

Os clientes precisam investir um alto valor para ter acesso a esse serviço?

Ao contrário. Estamos hoje no processo de conversão da nossa base de usuários para assinantes. Porque resolvemos democratizar a informação, ou seja, quem usa pouco não vai pagar. Um pequeno empresário, por exemplo, que tem essa dúvida sobre tributação, mas tem poucos produtos, não precisa ficar pagando uma assinatura para ter essa informação de vez em quando. Eu tenho uma limitação mensal em que ele pode fazer essa pergunta e não pagar nada. Agora se for uma empresa maior ou um contador que consulta diariamente, aí sim precisará pagar para utilizar a ferramenta. São planos que mudaram um pouco esse conceito da informação fiscal na Internet. Antes você tinha que ir lá comprar uma assinatura e ficar preso por um ano, mas na Busca Legal não, você pode pagar por mês ou não, o cliente que escolhe. Estamos desmistificando isso.

Podemos arriscar dizer que não existe nada igual hoje no mercado brasileiro? Vocês são vanguardistas nesse assunto?

Fomos totalmente pioneiros nessa área e não conhecemos ninguém até hoje que utiliza a inteligência artificial na área fiscal como utilizamos. Se compararmos uma busca tradicional com uma busca com robô de uma hora para um minuto, exemplifica o que o profissional dessa área quer hoje, e te mostra esse nosso pioneirismo. Não existe uma solução no mercado, mesmo que parecida ou compatível que a pessoa tenha esse ganho de tempo e produtividade.

O empreendedor, o contador, o profissional da área fiscal, o advogado tributarista, eles precisam do tempo deles para pegarem a resposta e interpretar, e não para ficar buscando. Então essa resposta eu dou para ele, pois senão ele perderia muito mais tempo, e um tempo que pode ser melhor gasto em outras questões do seu negócio.

Temos quatro soluções disponíveis para o mercado hoje. O primeiro foi o T1, um Chatbot que te dava a informação de tributação de um estado por vez. Depois veio o T2 que começou a fazer interestadual. Depois uma ferramenta de substituição tributária, uma loucura para os contadores e para o pessoal da área fiscal. E a quarta, com a qual fomos campeões da América Latina, para classificação fiscal. Temos uma base de informações e vamos criando mecanismos novos de tecnologia para cada uma delas. Logo virá a quinta, o maior portal de informações fiscais com uso de IA. Será o Busca Legal TS – Tax Search.

Com tudo que está acontecendo no País em relação a Pandemia, como a Busca Legal se posicionou nesse novo cenário?

A Covid-19 afetou bastante o nosso negócio, assim como em todos os outros mercados. Mas teve uma diferença. Internamente, nesse conceito de home office já estávamos bem preparados. Já tínhamos profissionais que não precisavam estar o tempo todo na empresa. Eu mesmo, fisicamente, só vou para empresa uma vez por semana. O cliente não vai para a empresa, eu já o atendo virtualmente, então nós já nascemos nessa realidade do home office.

Já para os nossos clientes o que afetou, eles sofreram muito com a questão de inadimplência, então o dinheiro parou de girar, e eles começaram a pedir um prazo maior para nos pagar, então tivemos alguns problemas com essa questão financeira.  Mas reconhecemos que ele não pode ficar sem a informação, e em relação aos tributos, o governo pode ter facilitado na prorrogação do pagamento, mas ele vai ter que cumprir as obrigações fiscais e fazer o cálculo desses tributos da mesma forma. Então a Busca Legal continuou sendo necessária, e o que podemos fazer para colaborar com o mercado nesse momento, foi além de fazer atendimento especifico para os clientes com prorrogação de pagamento e prazo, nós também aumentamos a oferta do serviço gratuito. Então aquele cliente com porte menor, eu aumentei o limite para que ele possa utilizar o serviço gratuito por mais tempo, pelo menos até o fim da pandemia.

O que o senhor imagina agora para o futuro do mercado depois que tudo isso passar?

O que vai acontecer agora é que o home office será o novo normal. E além dele ser implantado definitivamente em muitas empresas, mesmo que não seja 100%, vai adquirir um espaço maior no formato de trabalho das empresas, então o estar em casa agora vai precisar ser algo mais agradável.

Falando em futuro, a jornada digital muito falada hoje, é um dos temas que engloba o negócio da sua empresa, amparada pela Inteligência Artificial, correto? Todas as empresas hoje também devem ter essa preocupação para se manterem competitivas no mercado?

Eu tenho certeza que sim, existem diversos conceitos envolvendo a jornada digital, mas temos que pensar o que a pessoa precisa na sua empresa. Imagine um pequeno empreendedor, ele é a sua própria empresa, ou seja, não tem funcionários, então é o Sr. Faz tudo. Essa pessoa mesmo que sozinha, precisa também começar uma jornada digital. E o que é isso? É ele buscar ferramentas, ou seja, desenvolvê-las, contratar alguém para desenvolvê-las ou comprar já desenvolvidas, para que o auxiliem em algo que possa melhorar a sua vida profissional, o relacionamento dele com os clientes ou com as empresas que o contratam. Essa questão da jornada digital é como você imagina a sua empresa atendendo o seu cliente utilizando algum tipo de tecnologia.  E ela é para todas as empresas, seja para o pequeno, para o profissional liberal ou para as grandes empresas, não importa o tamanho, a intenção é entender qual a necessidade do cliente e ver como a tecnologia pode melhorar esse relacionamento, agilizar, fomentar e melhorar no final todos os seus resultados. Essa jornada acaba tendo um fim que ou ela te gerou um faturamento maior ou despesa menor, ou ambas as coisas. Se você não começou ainda na sua empresa, comece mesmo que devagar, do contrário, o teu negócio será engolido pelo mercado. 

O que na sua opinião, trava algumas empresas hoje em avançar tecnologicamente o seu negócio?

Não é só no Brasil, mas especificamente aqui, a mão de obra nessa área é muito valorizada. É uma categoria que o mercado tem muita oportunidade e isso faz com que a mão de obra se torne mais cara e, muitas vezes, as pretensões é de que os profissionais queiram trabalhar em lugares maiores, então o pequeno precisa ou contratar um freelancer, ou uma solução já pronta. Mas isso não pode ser um impeditivo. O empresário precisa tentar começar de alguma forma, mesmo que pare por um tempo e volte depois. A jornada digital na empresa grande tem que estar na cabeça de todo mundo, do CEO até a última função de um cargo operacional. Todos têm que estar com a mesma vibração. E na empresa pequena, a mentalidade tem que ser a mesma, claro que a dificuldade é maior, mas não pode ser um motivo para desistir. Você vê muitas ideias de pequenos surgindo no mercado, então é possível. A jornada digital não é fácil, especialmente para os pequenos, mas é possível da mesma forma para ambos.

Qual a mensagem o senhor deixa para os empresários brasileiros, especialmente nesse momento?

Não ter medo de empreender, nem que erre nas primeiras vezes. Temos uma solução que foi a primeira ideia da Busca Legal e até hoje, depois de três anos, ela era para ser o carro chefe da empresa, mas ainda não foi finalizada. Outras três ou quatro foram criadas na sua frente. Por quê? Porque surgem desafios, tanto por mudança de foco como por dificuldades ou oportunidades, mas não desistimos. Então se não deu aquele jeito, tente de outras formas, não desista daquele, mas busque outros caminhos também. É uma boa luta diária com concorrente, problemas de equipe, com a gente mesmo, com foco, mas o grande recado é não desistir. Eu estou falando na prática. Claro que não adianta fazer investimento em algo que você já perguntou para o cliente e ele não quer. Tem uma frase (mas não me recordo a autoria) que gosto bastante e que ilustra isso. Diz mais ou menos assim: “Não tem nada pior do que você fazer algo de forma excepcional, mas que você jamais deveria ter feito”. Ou seja, não adianta você ficar brigando com o mercado, se o seu cliente já disse que não quer. Então quando você estiver na fase de invenção, é bom estudar se o mercado realmente quer isso. Se descobriu que ele quer, então vá em frente e não desista por nada. Ou às vezes, mesmo que ele não queira, você tem que mostrar porque deveria querer.
_

SOBRE
Paschoal Naddeo, além de ser um dos sócios da Busca Legal, é também sócio da EDDA, uma escola voltada para profissionais da área tributária, administração, economia e contabilidade, que em virtude da Pandemia do Covid-19, passou também a adotar as aulas à distância na sua grade de ensino. O profissional atua também como diretor de novos negócios na Idealiza Urbanismo, uma empresa que constrói loteamentos, condomínios e bairros inteligentes, com um novo conceito, o do urbanismo feito à mão e que privilegia a questão de proporcionar experiências inéditas de bem viver.

Foto de ThisIsEngineering no Pexels

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Pin It on Pinterest

Share This