A hora de virar franquia

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Qual a hora certa para virar franquia?

Investir na expansão por meio do franchising é a aposta de muitas empresas que sonham em se tornar maiores. O caminho é detalhado e precisa de dedicação e know-how, mas pode ser superado quando feito no momento ideal. Executivos de redes que atuam em áreas diversas compartilham quando foi o despertador das respectivas marcas

A melhora gradativa do cenário econômico reacendeu o desejo de muitos empreendedores brasileiros que pensam em entrar para o franchising. Em 2018, apesar das incertezas políticas pré-eleição, a quantidade de redes brasileiras que operam o sistema de franquias cresceu 1%, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). O resultado surpreendeu o setor, que trabalhava com um cenário menos otimista.

A expectativa é que o índice se repita agora, em 2019. Essa pode ser a hora certa para a mudança de “página” da história do seu negócio. E esse momento vai ocorrer quando a empresa já estiver bem estruturada no mercado, com uma marca conhecida e com alto grau de maturidade do seu negócio. Especialistas no mercado dizem que atuar em um segmento que não seja extremamente regional e ter atingido o seu ponto de expansão são aspectos importantes. Para se tornar uma franqueadora, a empresa também precisa ter seus processos de negócio em pleno funcionamento e bem documentados.

PRECISA TER PERFIL

O empreendedor cuja intenção seja franquear a marca deve compreender que o processo significa a entrada de sócios para a sua empresa. E muitos destes não têm expertise à frente da administração de um negócio. “É fundamental entender que o seu trabalho a partir dali é transmitir conhecimento. O empreendedor precisa se doar para auxiliar o franqueado a alcançar os seus objetivos com a franquia”, afirma o especialista em empreendedorismo, Brunno Galvão. Ele precisa ter um perfil de liderança, porque caberá ao franqueador liderar outros empreendedores, o que é diferente de liderar funcionários.

TRANSFERÊNCIA DE KNOW-HOW

O sucesso de qualquer empreendimento baseia-se, segundo Galvão, em três pilares: pessoas, produtos e processos. “Quando falamos de franquia, os processos operacionais, administrativos e técnicos precisam estar sob controle. A execução desses processos vão garantir que a franquia entregue resultados de qualidade”, afirma o especialista.

Quando falamos sobre pessoas é essencial que o franqueador entenda qual o perfil de franqueado que ele busca, qual o perfil de franqueado de que o negócio precisa. E quanto ao produto é fundamental entender onde estão os clientes, e aí entra a escolha do ponto. “É importante ver o franqueador participando da escolha do ponto e tendo isso muito bem mapeado para que o franqueado tenha resultados melhores”, comenta.

EXPERIMENTOU NA PRÁTICA

A rede CI Intercâmbio e Viagem foi fundada em 1988 e só entrou no mercado de franquias quatro anos mais tarde. Como recomendam especialistas em franchising, a marca operou com unidades próprias, adquiriu experiência, entendeu as demandas e necessidades do mercado e ajustou a operação. Então padronizou todos os seus processos, desenvolveu seu sistema de franquias com uma consultoria e, só então, foi atrás de franqueados. “Com o processo de franchising feito no tempo certo e com qualidade, aliado aos constantes ajustes, às mudanças e melhorias, a consolidação foi consequência. É fundamental estar atento ao mercado e nunca parar de melhorar, independentemente do tamanho ou tempo de mercado da empresa”, afirma o gerente de franchising da CI Intercâmbio e Viagem, Henrique Munhoz.

Atualmente, a rede conta com 22 unidades próprias e 106 franqueadas e pretende continuar crescendo: em 2019 a meta é aumentar a quantidade de franquias em 15%. Para isso, foi desenvolvido um novo modelo de franquia, o chamado Office, que possui investimento mais enxuto, pois trata-se de um escritório e visa à instalação em cidades pequenas e médias, além dos modelos já tradicionais: Full, Light, Express e Home Office.

DÉCADA DE APRENDIZADO

A rede Mania de Churrasco operou com unidades próprias por cerca de uma década. Depois de consolidar a marca, chegou o momento de conceber um modelo para o franchising. “Assimilamos o mercado, desenvolvemos fornecedores, entendemos o melhor formato de gestão para as nossas operações até termos um modelo maduro o suficiente para ser replicado com responsabilidade e segurança por meio de franquias”, garante o diretor de expansão da rede Mania de Churrasco, Marcelo Cordovil.

Com investimento a partir de R$800 mil, o conceito atraiu interessados em quatro estados: são seis unidades próprias e 57 restaurantes franqueados. “Buscamos insistentemente manter nossas equipes bem treinadas e motivadas. O time de cozinheiros também trabalha com o mesmo empenho. Para nós, cada detalhe é importante para manter a marca consolidada”, comenta Cordovil.

VIDA SAUDÁVEL

A Terra Madre, rede de empórios especializados em produtos orgânicos e saudáveis, aproveitou o aumento do interesse por mais qualidade de vida entre os brasileiros para marcar território. A franqueadora operou por mais de um ano apenas com unidade própria, depois veio a expansão: hoje a marca possui 16 unidades, sendo 14 franqueadas.

A rede foi gerada sob a tutela de uma consultoria especializada, afinal a fundadora queria reproduzir para os franqueados todos os detalhes de operação que já tinha vivenciado ao longo do tempo. Para dar suporte, a franqueadora criou seis departamentos: financeiro, RH, compras, sistemas e TI, marketing e consultoria comercial. “Buscamos, diariamente, apresentar novidades aos nossos clientes. Isso significa analisar, avaliar e homologar fornecedores para a rede com frequência a fim de apresentar uma boa variedade de produtos. Atualmente já temos mais de 6 mil itens nas lojas, provenientes de 90 marcas”, revela a sócia-fundadora da Terra Madre, Leila Oda.

APOSTOU NO INUSITADO

A rede Busger nasceu em São Paulo com a compra de um ônibus. Exatamente isso. Um dos idealizadores do projeto resolveu aliar a experiência da comida de rua com o conforto de uma lanchonete tradicional. Ainda operando como empreendedor, abriu a segunda unidade com um ônibus londrino. Depois disso, o interesse por franquias do modelo começou a crescer e a estimular a formatação.

Foram três anos até a entrada no franchising. “Apesar de 2017 ter ficado marcado pela crise política e econômica do Brasil, entendemos que iniciamos no franchising em um momento interessante. Muitas pessoas estavam em busca do próprio negócio. O franchising acaba sendo um caminho natural quando há a expectativa de abertura de um negócio, uma vez que o modelo de gestão das marcas já foi testado”, conta o sócio-diretor do Busger, Rodrigo Arjonas.

Arjonas diz que, com a formatação, o trabalho continua dia após dia. “Deve ser dispensada uma atenção especial à gestão das unidades, com aprimoramento constante de diversos fatores. Além disso, é importante aperfeiçoar sempre o sistema de seleção de franqueados, estar atento ao mercado, às oportunidades que se apresentam, conhecer novos potenciais fornecedores etc.”, opina o executivo. Atualmente, a marca, que exige investimento inicial de R$500 mil, conta com 11 unidades em funcionamento.

RECÉM-FRANQUEADA

A Vai Voando, agência de viagens focada em classes econômicas não muito acostumadas com viagens aéreas, operou por uma década por meio de um modelo único de venda. Agora, em 2019, está implantando o modelo de franquia.

Com a estrutura e experiência de quem já tem anos no mercado e pertence a um conhecido grupo de turismo do País, o Flytour, a Vai Voando contou com a Consultoria da Cherto Franchising para realizar o estudo de franqueabilidade. A formatação durou um ano e meio. “Hoje é uma empresa mais madura com eficiência operacional. Pertence a um grupo sólido e entende que o êxito é baseado em um modelo de sucesso”, diz o diretor de operações da Vai Voando, Luiz Andreaza.

A empresa aproveitou o momento da retomada da economia e o modelo mais estruturado para ampliar a rede. “Em paralelo também focaremos a transição dos parceiros já existente para o modelo de franquia. Queremos chegar a uma rede superior a 650 franqueados”, revela Andreaza.

ACERTAR PARA NÃO PERDER

Um erro na estratégia pode ser fatal para quem deseja ter seu negócio franqueado. Para evitar isso, é necessário um detalhado planejamento de como tornar sua marca uma franquia. Então os especialistas dizem que nesse planejamento deverão estar contempladas todas as particularidades de seu negócio, tais como as características do seu produto ou serviço, a documentação dos processos de negócio, os critérios de formação de preço, a forma de acesso aos clientes, as plataformas de comercialização, os aspectos específicos da franquia e tudo o mais. A partir desse planejamento serão definidas as estratégias de franqueamento e os contratos de franquia.


Qual a hora certa para virar franquia?

“É fundamental entender que o seu trabalho a partir dali [franqueamento] é transmitir conhecimento. O empreendedor precisa se doar para auxiliar o franqueado a alcançar os seus objetivos com a franquia”

Brunno Galvao, especialista em empreendedorismo

Crédito: Divulgação/ KB Comunicação


Qual a hora certa para virar franquia?

“É fundamental estar atento ao mercado e nunca parar de melhorar, independentemente do tamanho ou tempo de mercado da empresa”

Henrique Munhoz, gerente de franchising da CI Intercâmbio e Viagem

Crédito: Divulgação/ Dezoito Com


Qual a hora certa para virar franquia?

“Entendemos o mercado, desenvolvemos fornecedores, entendemos o melhor formato de gestão para as nossas operações até termos um modelo maduro o suficiente para ser replicado com responsabilidade e segurança por meio de franquias”

Marcelo Cordovil, diretor de expansão da rede Mania de Churrasco

Crédito: Divulgação/ Tadeu Brunelli


Qual a hora certa para virar franquia?

“O franchising acaba sendo um caminho natural quando há a expectativa de abertura de um negócio, uma vez que o modelo de gestão das marcas já foi testado”

Rodrigo Arjonas, sócio-diretor do Busger

Crédito: Divulgação/ Scaramella Press


Qual a hora certa para virar franquia?

“Hoje é uma empresa mais madura com eficiência operacional. Pertence a um grupo sólido e entende que o êxito é baseado em um modelo de sucesso”

Luiz Andreaza, diretor de operações da Vai Voando

Crédito: Divulgação/ Retorno Comunicação


Qual a hora certa para virar franquia?

Leila Oda, sócia-fundadora da Terra Madre

A Terra Madre operou por mais de um ano apenas com unidade própria, depois veio a expansão: hoje, a marca está com 16 unidades, sendo que 14 delas são franqueadas.

Crédito: Divulgação/ Scaramella Press

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