A escola dos filhos em tempos de pandemia

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Texto de Gisele Cordeiro e Deisily de Quadros

Acordar, tomar café, levar o filho para a escola, ir trabalhar, buscar o filho na escola, passar no supermercado, auxiliar o filho no dever de casa, jantar, dormir, e no dia seguinte recomeçar as mesmas atividades. Essa era a rotina que acontecia na casa de muitos brasileiros. Acontecia. Até aparecer um vírus danado e virar tudo de pernas para o ar.

A rotina de trabalho e da escola teve de mudar, teve de ser repensada. E, de repente, nos vimos em casa, com nossos filhos, precisando acompanhar mais de perto do que nunca a jornada escolar deles. Isso em paralelo com atividades da casa e do trabalho, muitas vezes. Com isso, novas palavras se somaram ao nosso vocabulário: home office, homeschooling, nome de plataformas digitais, educação remota…

Escolas e professores precisaram se reinventar e aprender, de repente, a produzir aulas remotas e a usar a tecnologia. Nós, em casa, tivemos que, de repente, sentar ao lado das crianças compartilhando o computador ou o celular – e o tempo! – para acompanhar o estudo remoto.

E durante a aula ministrada por canais especiais da televisão ou por plataformas diversas ou ainda após esses encontros com os professores, tivemos que relembrar conteúdos para ajudar nossos filhos nas variadas áreas: Ciências Naturais, Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Inglês… E ensinar! Ou tentar ensinar.

Essa nova rotina escolar dos filhos precisa ainda estar em harmonia com o home office dos adultos da família e com os afazeres domésticos, que são muitos: limpar a casa, preparar as refeições, lavar a roupa. E há ainda os pais que estão saindo para trabalhar, por serem parte dos serviços essenciais para a população. Com essa rotina de múltiplos afazeres, é fácil sermos invadidos pela angústia: como vamos dar conta de tudo?

Estamos vivendo um momento de reflexão, de reinvenção. Estabelecer uma nova rotina na família é essencial. Organizar horários e espaços e dividir as tarefas do cotidiano são essenciais para que ninguém enlouqueça: nem crianças com o ensino remoto, nem adultos com o home office. Afinal, é o momento de partilharmos o tempo, o espaço, os afazeres. Já pensaram que isso é conviver?

Com essa convivência, coisas boas aconteceram: nos aproximamos da escola, dos professores e dos nossos filhos. Criamos afetos e parcerias preciosas. Mas também, alguns pontos nos levam a reflexões: como ensinar sem termos estudado para isso? É possível ensinar sem encontros presenciais? Nós, enquanto família, temos sido parceiros da escola dos nossos filhos? O que é educação? Todos têm o mesmo acesso ao conhecimento? Neste momento de pandemia, os conteúdos curriculares são o mais relevante? Cozinhar juntos, arrumar a casa em parceria, cantar músicas, ver filmes, ler histórias, conversar com amigos e familiares utilizando a tecnologia, descansar, conviver, isso não são aprendizagens importantes?

Certamente, nossos filhos – e nós também! – levarão lembranças deste tempo de quarentena. Que sejam boas! Que sejam intensas! Certamente, precisamos repensar nossa relação com o tempo, conosco, com o outro, com o meio, com a escola. E, diante de tantas reflexões e pensamentos, preparamos algumas dicas para que, em casa, a rotina de estudos possa ser um momento de interação afetiva entre pais, filhos e escola.

Mesmo não sendo fácil, foi a única opção nos dada até agora para que nossos filhos continuassem a estudar. E mesmo sem preparo pedagógico, nos vimos diante deste novo desafio: ajudar nossos filhos a acompanhar aulas on-line. E quantos de nós, adultos e pais, nunca se quer assistimos a uma aula neste modelo, não é?

Então, os objetivos destas dicas é apontar possíveis caminhos para tornar a rotina em casa mais tranquila, alinhando trabalho, estudo e tarefas domésticas:

  1. Os pais ou responsáveis precisam buscar conhecer junto com os filhos a plataforma, canal de comunicação, ambiente virtual, onde serão disponibilizadas as matérias;
  2. Manter a rotina com os filhos: horário de dormir e acordar, tomar o café da manhã, almoçar, realizar as atividades da escola como faziam;
  3. Preparar o material escolar da criança: caderno, estojo, deixando tudo organizado para assistir à aula;
  4. Procure organizar o espaço onde a criança assistirá à aula e o seu espaço de home office, de preferência um lugar arejado, tranquilo e claro;
  5. Se faz necessário assistir à aula completa;
  6. É importante que a criança registre os conteúdos no caderno, folha ou material que tem disponível;
  7. A concentração é importante, então cuidado para que outros ruídos de televisão e conversas não distraiam a criança e o seu próprio trabalho;
  8. É importante montar um cronograma organizando os horários de estudo e as entregas de trabalhos e avaliações; 
  9. Os jovens podem realizar esta etapa com mais autonomia, para que não se sintam pressionados;
  10. Combinar a pausa das suas atividades de home office com o intervalo dos filhos: é importante respeitar os intervalos, assim como no colégio e no trabalho;
  11. Valorizar a realização de atividades domésticas junto com as crianças: cozinhar, colocar a mesa, tirar o pó dos móveis. Isso também é um momento de aprendizagem;
  12. Reservar momentos para o lazer: assistir a filmes, ler livros, ouvir música e brincar também são atividades importantes.

Há ainda pais que precisam sair de casa para ir presencialmente ao trabalho. Provavelmente, os filhos ficarão em casa. Assim mesmo é preciso estabelecer uma rotina e acompanhá-los quando retornarem.

Enfim, sem dúvida, esse tempo ficará cravado na memória: tempo de repensar o ritmo, de recriar afetos, pensar novos caminhos para a educação.

Sobre as autoras
Gisele Cordeiro é professora e coordenadora da área de Educação do Centro Universitário Internacional Uninter. Deisily de Quadros é professora e coordenadora da área de Linguagens e Sociedade do Centro Universitário Internacional Uninter.

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